terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Futuros amantes


de Chico Buarque

Não se afobe, não
Que nada é pra já
O amor não tem pressa
Ele pode esperar em silêncio
Num fundo de armário
Na posta-restante
Milênios, milênios
No ar

E quem sabe, então
O Rio será
Alguma cidade submersa
Os escafandristas virão
Explorar sua casa
Seu quarto, suas coisas
Sua alma, desvãos

Sábios em vão
Tentarão decifrar
O eco de antigas palavras
Fragmentos de cartas, poemas
Mentiras, retratos
Vestígios de estranha civilização

Não se afobe, não
Que nada é pra já
Amores serão sempre amáveis
Futuros amantes, quiçá
Se amarão sem saber
Com o amor que eu um dia
Deixei pra você

Para moça charmosa ... ainda


de Pablo Sathler

Eu realmente gosto de você!
Mas... o que posso fazer ?
Acho que nada, NE?
Lembro daquela sua blusa branca
Seu sapato preto e sua calça jeans

Estava com sua melhor amiga
E eu ... com os meus
Aquela noite foi ótima!
Fiz duas vezes, o que mais gosto de fazer

E de surpresa, veio você
A terceira coisa que mais gosto de fazer

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Carta à minha EX (autobiográfico, mas nem tanto)

    Querida Ex,
    Não quero reabrir feridas abertas pelo nosso passado, quero apenas deixar claro algumas coisas a respeito do que sinto por você.
    Por muito tempo eu te amei, por anos meu mundo girou em torno de você, você foi, por um bom tempo, a minha amiga, companheira, confidente, ombro para chorar, colo para consolar, voz que tranquiliza-se, olhar que me penetrava a alma.
   Mas com o tempo, pude ver o quanto Renato Russo tinha razão ao dizer que o "para sempre, sempre acaba" e você foi mudando comigo. Mudar é muito bom, mudar o visual, as perspectivas, a marca do desodorante, mas as suas mudanças foram cruéis comigo.
    Reconheço, fui um grande filho da puta também, não fui um bom companheiro em muitos de seus maus momentos, principalmente, me faltou sensibilidade para te compreender, me faltou saber ouvir você, me faltou entender a razão do seu constante silêncio.
    Falei demais, você ouviu de mim palavras que não merecia ouvir, fiz com você coisas das quais me envergonho profundamente e, se pudesse, eliminaria por completo a lembrança destes atos, visto que a culpa me destrói toda vez que lembro do que lhe fiz.
    Hoje sou uma nova pessoa, amo outra mulher, fiz questão de que ela soubesse de tudo o que lhe fiz e também de fazê-la entender que não sou um homem perfeito, muito pelo contrário disto, mesmo assim ela me aceitou e hoje, quando eu me olho no espelho, vejo um outro homem.
    Quero ser para ela tudo o que não fui para você e desejo que você encontre um alguém onde você seja para ele tudo o que você não foi para mim.
     De coração, torço por sua felicidade! De coração quero lhe pedir perdão pelos anos perdidos ao meu lado e pelas lágrimas que eu te fiz derramar.
     Acho que aprendi com os meus erros e torço para que tuas lágrimas sejam movidas por outras emoções e não as que eu provoquei em você!
     No tempo que vivemos a nossa relação, eu achava que te amava e que tudo que eu fazia contribuía para isto, porém, hoje vejo, que apesar de intenso, eu não te amava, porque amor é sempre amor, ele não morre, não muda, é para sempre, é como tatuagem, palavra cravada em diamante.
     Termino aqui esta carta, incerto se você um dia irá ler, mas se ler certamente saberá que é para você!

A fenomenologia do silêncio

Ela se calou,
de repente o mundo para de girar,
por um instante me calo também.
Fito o seu olhar
nada mais me resta.

O silêncio é um fragmento do tempo,
um lapso de instante no universo das palavras,
uma pausa
....

Entre nós há uma fenomenologia do silêncio,
calados dizemos ao outro tudo aquilo que tem de ser dito.
O silêncio é um descanso às palavras
Uma forma pura de dizer o não dito
(ou o não dizível).

Calados trocamos olhares,
entendemos o recado alheio,
ouvimos os pássaros,
as gotas de chuva,
o pôr do sol,
o orvalho da manhã,
o pulsar de nossos corações,
a alegria de amar!

Em um silêncio sepulcral
executamos uma ópera!
Em silêncio ...
... ... ... ... ... ...
E nada mais!

Para escrever crônicas

     Não sou um cara com uma vida muito emocionante, nem sou um homem de grandes ideias e humor refinado. Vivo dos meus simplórios suspiros, escrevo sobre os intervalos de um suspiro.
     Penso que para escrever crônicas necessário se faz um olhar simples sobre a vida!
     Sim, a simplicidade do olhar é segredo para escrever crônicas, mas não é qualquer simplicidade, mas sim a simplicidade lírica de um olhar poético sobre uma gota de orvalho a cair, a simplicidade trágica do homem que se joga na frente de um monza ano 82 por ter perdido a mulher que ama, a simplicidade ilógica da mente da mulher que decide não amar mais o fulano de tal e, principalmente, a simplicidade romântica daquele que tem sua vida mudada ao receber um beijo molhado no rosto.
    Para escrever crônicas é necessário ternura, mas não é qualquer ternura e sim a ternura jornalística de quem sabe descrever a exatidão do pulsar do coração daquele que se apaixona, a ternura quase materna daquele que explica as razões as quais levaram a mulher a acolher seu marido bêbado e recostá-lo em seu peito, de uma ternura futebolística que cria um jogo tão sensacional, mas tão sensacional, que jamais poderá ocorrer.
    Enfim, as crônicas exigem simplicidade e ternura, ou seja, não servem para nada! Apenas contam algo que não interessa, ou, se interessa, nunca dirão exatamente o que o cronista queria dizer, porque escrever crônicas é fotografar um instante no tempo e no espaço.

PESOS

Pesos
Pesos nas minhas costas
Pesos
Pesos pesadamente pesados em minhas costas
Pesos que não são meus
Pesos que absorvo no mundo
Pesos que absorvo do mundo
Pesos concretos e abstratos
Pesos solitários e solidários
Pesos

Pesos nas minhas costas
Pesos
Pesados
Passantes
Porém pesados,
Pesos imortais
Pesos naturais
Pesos normais

Pesos pressionam
Pesos acionam
Pesos pesam minha coluna vertebral
Pesos do dia
Pesos da noite
Pesos que deixam tenso, denso e incompleto

Pesos não saem sozinhos,
Pesos não deixam em paz,
Pesos ficam pelo caminho
Pesos que o caminho traz!

Mais um Peso

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Passe um dia no hospital

    Gostaria de agora dar um conselho aos casais para apimentar a relação, passe com ela 24 horas no hospital.
    Sim, pode parecer doentio (com o perdão do trocadilho), mas não é.
    Quando ela adoece e tem um problema bem sério, daqueles bem sérios mesmo, o cara mostra que pode ser o homem da relação e a garota mostra que quer mesmo é carinho, atenção e cuidado (sem machismo algum).
    Neste momento, neste exato momento é a sua chance de mostrar para ela o tamanho de seu amor, a quantidade de sacrifícios que você está disposto a fazer, se doar por ela e, principalmente, o que de fato existe entre vocês.
    Sim, essa é a prova de fogo do seu amor, a grande tribulação de sua masculinidade, a chance de mostrar para sua namorada que você não é mais uma criança que depende das orientações maternas para tomar as melhores decisões.
    Chegando no hospital, não haja grosseiramente com os funcionários do hospital, enfermeiras e médicos. Mostre sua inteligência, use-a sem moderação. A última coisa que sua namorada precisa pensar é que você sabe socar as paredes e se irrita com facilidade.
    Mostre que você sabe ser gentil até com quem, aparentemente, não merece. Mostre para ela que pode acontecer o que for, que sempre que ela abrir os olhos você estará ao seu lado.
     Tenha calma diante da dor dela, a última coisa que ela precisa é de alguém descontrolado e dizendo coisas pessimistas.
      Tente fazer um carinho em seu rosto, se ela gostar continue.
      Não tire os olhos dela momento algum!
      Diga para ela todas as coisas mais lindas do mundo. Sim, se declare, seja exagerado! Ela estará  descomposta, mas tenha certeza, ela sempre será a mais linda mulher do mundo, apesar das olheiras, do cabelo bagunçado, do cheiro de hospital, do hálito não tão fresco e de sua palidez. Ela continua sendo a mulher de sua vida!
      Seja ousado, diga coisas safadas e instigue a imaginação dela.
      Segure a mão dela, faça muito carinho em suas mãos, aperte com firmeza quando ela olhar nos seus olhos, mostre para ela que não há ninguém no mundo mais importante do que ela.
      Não atenda o celular, mesmo que seja o seu chefe. Não reclame e nem brigue com ela, no fim das contas, algumas doenças podem curar a nossa alma.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Análise da relação entre sociedade brasileira e constituição


       As constituições têm, contemporaneamente falando, recebido uma carga maior de atribuições e importância em um ordenamento jurídico. Em torno dela gravitam todos os demais sistemas jurídicos e a mesma reflete o espírito de uma nação em seu tempo.
A relação da sociedade brasileira com a Constituição é uma relação historicamente complicada, visto que seu texto já sofreu diversas modificações ao longo do tempo, desde a primeira carta constitucional até o estabelecimento da atual, jovem, porém já construída sob paradigmas antigos ou questionáveis, dando margem à necessidade de uma enorme quantidades de emendas e um judiciário cada vez mais militante e ideologicamente comprometido com valores que estão aquém de seus princípios fundantes.
Mas, para que esta investigação alcance seus objetivos, urge saber quais são os fatores sociais que fazem com que o Brasil tenha em sua constituição uma série de atribuições que em outras constituições não há sequer menção, ou entender as razões da quantidade de medidas para alteração da constituição, ou até mesmo compreender os porquês das constantes ações diretas de inconstitucionalidade.
Um primeiro ponto para análise é a questão relativa à “anemia democrática”, ligada ao poder legislativo e fraqueza das instituições político-partidárias, sendo que as mesmas não representam a vontade popular efetivamente. Sendo assim, abre-se um vácuo para a militância e a criação de ícones que tentarão ocupar esses espaços.
No atual momento, há uma grande interferência da suprema corte sobre grande parte das decisões, interferência esta que somente acentua os problemas legislativos e superlativa as cortes supremas do país, trazendo morosidade aos processos que de fato deveriam ser discutidos pela casa e a sensação leiga de que apenas o judiciário é plenamente capaz de resolver os problemas do país.
Mas os problemas supra citados possuem uma origem bem mais profunda e nos remete à primeira constituição feita no Brasil, a constituição dos tempos do império.
A primeira constituição brasileira é de 1824, onde sequer tínhamos uma nação independente do império. A mesma era opressora e de democrática nada tinha. Somente em 1988 o Brasil experimentou uma constituição que garante a democracia e enfatiza os direitos individuais, porém é inegável que todas elas carregam consigo a dissociação do Brasil real, ou seja, não representam efetivamente o povo e suas aspirações.
A constituição de 1988 é a mais extensa de todas, possuindo em sua votação final, 250 artigos e 70 disposições transitórias, totalizando 320 artigos, porém mesmo assim, sua essência já nasceu velha, até outubro de 2011 a constituição federal já havia recebido 67 emendas, uma média de 3 emendas por ano.
Alguns estudiosos são altamente críticos da amplitude buscada pela constituição, segundo o historiador e cientista social Marco Antônio Villa, “É difícil encontrar algo da vida social que a constituição não tenha tentado normatizar. Acabou se transformando em programa-econômico-político-social para o país”.
Segundo o mesmo autor, fatores como a queda do muro de Berlim, a política social-democrata na Europa e a crise da divida externa iniciada no México em 1982, influenciaram diretamente na confecção da Constituição, sendo a mesma “refém” deste contexto histórico.
Ao nosso ver, esta visão sobre a Constituição Federal é um tanto quanto redutora e minimalista, visto que, o direito sempre será influenciado pelo ambiente social e sua compreensão sempre deverá ser feita sob o prisma do contexto histórico, uma vez que é impossível a dissociação do mesmo.
A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 passa longe de ser a melhor constituição do mundo, porém deve-se a ela diversos progressos no que tange aos direitos individuais e políticos, uma possibilidade jurídica de mudanças progressistas no panorama sócio-econômico, uma maior possibilidade de intervenção do Estado em favor dos menos favorecidos e uma proteção institucional contra novas forças ditatoriais.
Porém, deposita nas mãos de um poder não eleito pelo povo um enorme poder de alterar a interpretação do direito ao seu bel prazer. Logo, há de se recuperar o fulgor democrático, para que com isto, o país possa novamente eleger quadros legislativos que, eficazmente, realizem o seu papel social e retirem das supremas cortes o expediente quase legislativo dos quais os mesmos têm gozado.
Ademais, somente com uma melhor relação do povo com sua democracia, ou seja, com maior participação popular nas causas políticas, será possível conter a onda de magistraturas militantes das quais o Brasil sofre desde os tempos do império.
Concluímos com esta reflexão, que a sociedade brasileira padece de compreender melhor a constituição que possui e, com isto, melhorá-la com vistas ao atendimento de suas próprias demandas e deposita em outro poder, no caso o judiciário, suas expectativas para que a mesma seja cumprida, ainda que a sociedade como um todo a desconheça por completo. Além disso, a pedagogia que levaria a sociedade a compreender o funcionamento constitucional não é feito nem pelo judiciário, nem pelo legislativo, nem pelas mídias e nem pelo ensino básico, o que forma uma sociedade totalmente alienada sobre o funcionamento das leis que regem a sua própria existência como cidadão.


Bibliografia:

- Villa, Marco Antônio – A história das constituições brasileiras
- Demais conteúdos são de perguntas efetuadas nas aulas de Teoria Geral do Direito, ministradas pelo ilustre Professor Bernardo Nogueira

Receita para esquecer uma paixão


Quando seu grande amor está distante, quando a geografia é a maior inimiga a se ter, quando ligações celulares e emails não bastarem, quando hangouts e conversas virtuais ainda lhe deixarem um vazio, siga a minha receita e sobreviva.
Escolha uma trilha sonora nada romântica, esqueça o Chico Buarque ou qualquer outro autor que fale de mulher, vá ouvir rock pesado ou música alternativa.
Vá ler um livro bem complicado e de algum autor ao qual você não conhece. Leia Sartre, leia Kafka, leia algo que te deixe em parafuso ou então bem deprimido, leia Keikegaard, você não vai entender nada mesmo.
Não saia de casa, não ligue para os amigos, não procure ajuda, sofra!
Não tente esquecer a sua amada, lembre dela a cada minuto.
Olhe para suas fotos e relembre todos os bons momentos, releia todas as mensagens que vocês já trocaram, antes de dormir, ouça a música do casal...
O que? Se vocês não tem uma música, comece a duvidar da intensidade desse amor.
Veja um filme que te faça lembrar dela, seja um existencialista da melhor maneira.
Depois experimente rezar por ela!
Você não acredita em Deus?
Não tem problema! Deus haverá de ouvir sua oração apaixonada.
Durante a oração não repita as palavras que os outros usam, seja sincero, vá direto ao ponto e diga que não aguenta mais dormir sem a presença da mulher da sua vida.
Deus sempre ouve os românticos!
A saudade não irá sumir, ao contrário, ficará mais intensa! Se não ficar, saiba que sua relação está para acabar, só sabemos o tamamho do nosso amor na vivência das ausências!

Lidando com a solidão

As piores pessoas são as que não sabem lidar com sua solidão.
Essas pessoas fazem da vida de seus amigos um inferno, fazem seus amigos sentirem-se culpados por seus compromissos e por quererem dormir mais um pouco, ao invés de sair com eles.
Essas pessoas não aprenderam a ouvir o silêncio, tampouco a aprender com seus próprios pensamentos, não aprenderam sobre a importância de uma boa fossa e choros em um travesseiro, para descobrirem o verdadeiro valor dos amores. Para isto serve a solidão, para nos ensinar o valor das companhias.
Excessos de carência tornam toda a amizade um peso, tornam a relação um enorme trabalho burocrático, um peso, um fardo. Não entendem que sorrisos muitas das vezes escondem depressões incomensuráveis, tentam entender as razões das lágrimas que derramamos, mas se esquecem de que as melhores tristezas são aquelas que não tem motivo para se sentir.
As vezes ser triste é bom! Aqui vai uma dica, pode até ser terapêutico passar o sábado a noite curtindo uma boa deprê, a alegria em excesso pode cegar a alma. A tristeza pelo contrário, as vezes serve para desembaçar o vidro de nossas almas e nada melhor para lavar a alma do que uma enxurrada de lágrimas inofensivas.
Sensível demais? Fresco? Posso até ser, mas ninguém sabe das minhas dores melhor do que eu!

Por isso encerro essa crônica com o seguinte conselho, aprenda a ser solitário de vez em quando, pois o imponderável pode te colocar nessa sem você perceber, e aí haja terapia para te tirar da pior. Certas solidões são treinamentos, fortalecem e nos deixam prontos para os desafios da vida!

Todo mundo caga ... mija ... e vomita

Por Pablo Satlher


Estava mais uma vez de ressaca. Na noite passada havia tomado um pouco de vodka, e ela sempre me deixara com muita dor de cabeça no dia seguinte. Era quase meio dia quando acordei e preparei meu almoço. Macarrão instantâneo, mais uma vez. Aqueles três minutos eram os mais demorados do universo! Depois de comer, tomei um pouco de água de azeitona. A velha receita para rebater a ressaca. E funcionara muito bem! Já me sentia melhor. O que devia fazer então? Beber mais, é claro. Quando ia pegando um copo para por whisky o telefone toca.

- Hey champ’s!
- Hey man , o que há? – Eu disse.
- Então cara, hoje vai haver uma festa, lá na casa da Hyde. Vamos?
- Claro! Mais a noite eu apareço lá.

Dei um trago no copo. Meu dia estava perfeito !
Não demorou muito para que as horas passassem. Eram quase 23horas. Como não havia comido nada até a hora da festa, comi um Royal Cheese, com bastante milho. Fui andando e comendo o hambúrguer. Quando tinha compromisso, não gostava de chegar atrasado.
Chegando à casa de Hyde, todos estavam lá. Inclusive seu namorado Ralf. Como gostava daqueles dois! Eram um casal realmente perfeito. Confesso que tinha uma queda por Hyde, aqueles cabelos cacheados eram demais. Mas o respeito e admiração que tinha por Ralf, não me deixavam fazer nada. Acabara de chegar e Ralf dizia :

- Hey Champ’s, como vai?
- Hey Man, estou bem tranquilo.
- Então vamos beber!
-Yeah man !

Ralf já sacou o meu copo, ele serviu uma boa dose de whisky, e seguimos bebendo a festa inteira. Lá pelas três da manhã, eu não me sentia muito bem. E Hyde e Ralf perceberam isso. Já havia tomado umas boas doses de whisky puro e meu estômago começava a se manifestar. Mais do que depressa me colocaram pra dormir, Hyde tirou as roupas de sua cama, tirou a colcha para que eu deitasse. E me cobriu. Achei isso maravilhoso. Assim que eles saíram do quarto, tudo girava, já estava acostumado com aquela sensação, então, mantive a calma. O problema e que não parava. Havia uns 25 minutos e tudo estava do mesmo jeito. Minha cabeça não parava! Ainda bem que meus reflexos estavam bons. Foi a conta! A conta de me sentar na cama e vomitar o quarto todo. Foram duas golfadas das boas. Não tinha aberto muito bem as pernas, então um pouco de vomito foi parar no canto do meu pé. Calcei meus sapatos e voltei pra festa. Hyde me disse:

- Você vomitou?
- Sim. Eu respondi muito sem graça.

Então ela me deu um pano. Voltei ao quarto e tive a nação do tamanho do estrago que eu tinha feito. Havia milho para todos os lados. Aquela coisa não sumia do estômago nunca. Agachei e levei a primeira remessa de milhos para a pia. Lavei o pano e voltei para buscar a outra remessa, e levei comigo um produto de limpeza, a essência era morango.
Após meu papel como empregadinha, fui pedir desculpas para Hyde. Estava mais sem graça do que piadas de pontinho ou Joãozinho.

- Hey baby, me desculpe.
- Não foi nada.
-  É sério baby, me desculpe mesmo, o que eu fiz não foi legal.
- Relaxa, isso acontece.
- Me desculpe, por favor. Insisti mais uma vez.
- Que nada, todo mundo caga, mija e vomita. NÃO PREOCUPA!

Logo em seguida, tratei de ir embora. Mas todos insistiam para que eu ficasse. Hyde e Ralf fizeram de tudo para que eu ficasse, pois a casa deles era bem longe da minha casa. Eram umas 20 quadras de diferença. Insistiram várias vezes, mas estava muito sem graça para continuar lá. Então eles me deixaram ir.
Ainda bastante. Ainda estava bastante bêbado. Quando estava próximo de casa o efeito do álcool já estava passando. Cheguei em casa. Com muita dificuldade eu tirei minha calça. Mas o sapatos ainda estava em meus pés. Dormi assim mesmo. Com os pés para fora da cama. Essa foi uma das melhores noites que havia passado em Black Gold.

Guarani Kaiowá de boutique

LUIZ FELIPE PONDÉ


As redes sociais são mesmo a maior vitrine da humanidade, nelas vemos sua rara inteligência e sua quase hegemônica banalidade. A moda agora é "assinar" sobrenomes indígenas no Facebook. Qualquer defesa de um modo de vida neolítico no Face é atestado de indigência mental.

As redes sociais são um dos maiores frutos da civilização ocidental. Não se "extrai" Macintosh dos povos da floresta; ao contrário, os povos da floresta querem desconto estatal para comprar Macintosh. E quem paga esses descontos somos nós.

Pintar-se como índios e postar no Face devia ser incluído no DSM-IV, o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais.

Desejo tudo de bom para nossos compatriotas indígenas. Não acho que devemos nada a eles. A humanidade sempre operou por contágio, contaminação e assimilação entre as culturas. Apenas hoje em dia equivocados de todos os tipos afirmam o contrário como modo de afetação ética.

Desejo que eles arrumem trabalho, paguem impostos como nós e deixem de ser dependentes do Estado. Sou contra parques temáticos culturais (reservas) que incentivam dependência estatal e vícios típicos de quem só tem direitos e nenhum dever. Adultos condenados a infância moral seguramente viram pessoas de mau-caráter com o tempo.

Recentemente, numa conversa profissional, surgiu a questão do porquê o mundo hoje tenderia à banalidade e ao ridículo. A resposta me parece simples: porque a banalidade e o ridículo foram dados a nós seres humanos em grandes quantidades e, por isso, quando muitos de nós se juntam, a banalidade e o ridículo se impõem como paisagem da alma. O ridículo é uma das caras da democracia.

O poeta russo Joseph Brodsky no seu ensaio "Discurso Inaugural", parte da coletânea "Menos que Um" (Cia. das Letras; esgotado), diz que os maus sentimentos são os mais comuns na humanidade; por isso, quando a humanidade se reúne em bandos, a tendência é a de que os maus sentimentos nos sufoquem. Eu digo a mesma coisa da banalidade e do ridículo. A mediocridade só anda em bando.

Este fenômeno dos "índios de Perdizes" é um atestado dessa banalidade, desse ridículo e dessa mediocridade.

Por isso, apesar de as redes sociais servirem para muita coisa, entre elas coisas boas, na maior parte do tempo elas são o espelho social do ridículo na sua forma mais obscena.

O que faz alguém colocar nomes indígenas no seu "sobrenome" no Facebook? Carência afetiva? Carência cognitiva? Ausência de qualquer senso do ridículo? Falta de sexo? Falta de dinheiro? Tédio com causas mais comuns como ursinhos pandas e baleias da África? Saiu da moda o aquecimento global, esta pseudo-óbvia ciência?

Filosoficamente, a causa é descendente dos delírios do Rousseau e seu bom selvagem. O Rousseau e o Marx atrasaram a humanidade em mil anos. Mas, a favor do filósofo da vaidade, Rousseau, o homem que amava a humanidade, mas detestava seus semelhantes (inclusive mulher e filhos que abandonou para se preocupar em salvar o mundo enquanto vivia às custas das marquesas), há o fato de que ele nunca disse que os aborígenes seriam esse bom selvagem. O bom selvagem dele era um "conceito"? Um "mito", sua releitura de Adão e Eva.

Essas pessoas que andam colocando nomes de tribos indígenas no seu "sobrenome" no Face acham que índios são lindos e vítimas sociais. Eles querem se sentir do lado do bem. Melhor se fossem a uma liquidação de algum shopping center brega qualquer comprar alguma máquina para emagrecer, e assim, ocupar o tempo livre que têm.

Elas não entendem que índios são gente como todo mundo. Na Rio+20 ficou claro que alguns continuam pobres e miseráveis enquanto outros conseguiram grandes negócios com europeus que, no fundo, querem meter a mão na Amazônia e perceberam que muitos índios aceitariam facilmente um "passaporte" da comunidade europeia em troca de grana. Quanto mais iPad e Macintosh dentro desses parques temáticos culturais melhor para falar mal da "opressão social".

Minha proposta é a de que todos que estão "assinando" nomes assim no Face doem seus iPhones para os povos da floresta.

Minha Opinião:

Pondé, no texto acima, analisa a questão sob o prisma da mediocridade dos discursos sem fundamento, neste contexto ele está coberto de razão, visto que milhões de índios são exterminados diariamente sem nosso conhecimento, anuência ou comoção. Assim como também existem milhões de causas nobres a se lutar por elas no brasil.
Concordo com o autor do texto acima, que há uma mediocridade imperiosa nestes protestos, mediocridade de pessoas que acham que mudam o mundo curtindo e compartilhando conteúdos nem sempre devidamente fundamentados.
ao que não podemos fechar nossos olhos para o diário genocídio cultural que vivemos, sem ao menos refletir se este caminho nos conduz ao tipo de nação que pretendemos ou se tudo é uma GRANDESSÍSSIMA perda de tempo.
A cada dia que passa, penso de maneira mais acentuada, que devemos desconstruir o que entendemos como humano, para com a construção que virá em seguida, tenhamos uma chance de melhorar este mundo e salvar a nós mesmos.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

A caminho de um direito civil-constitucional


          Existem inúmeras dificuldades conceituais para a compreensão do direito civil, pois, há diversas controvérsias em torno de uma unidade em termos de conceito e uma ausência de uma clara definição de suas funções. Logo, graças a essa ineficiência conceitual surge a necessidade de se compreender e focalizar a moderna “fisionomia do direito civil”.
            A partir do Code napoleônico, o direito civil é visto como um regulador das relações entre entes privados, com especial ênfase à proteção da propriedade privada, sendo este código um protetor da liberdade econômica ante ao estado, conforme um de seus enunciados, “direito de gozar e dispor dos bens na maneira mais absoluta”. Neste contexto há uma distinção muito clara entre direito público e privado, sendo o primeiro um direito advindo do Estado com propósito de regular interesses gerais, já o direito privado é compreendido no conjunto dos direitos inatos e inerentes aos indivíduos.
            Contemporaneamente falando, com a crescente intervenção do Estado sob a esfera da economia (fato impensável sob o olhar liberal) e até mesmo sobre a vida dos indivíduos, o direito civil perdeu algumas de suas dimensões e acaba por ser compreendido como uma série de regras que tem como alvo a “disciplina de algumas atividades da vida social e satisfação de interesses de alguns indivíduos e grupos organizados”. Porém, essas mudanças transcendem à “publicização” do direito civil, mas se mostram como uma mudança de paradigma oriunda do Estado e pode ser visto como um elemento de interação com as novas funções adquiridas pelo Estado e pelas transformações relativas à esfera econômica.
            Logo, partindo das ideias positivistas e aprimoradas sob o paradigma neoconstitucionalista, tem-se um direito civil submisso à esfera pública da constituição, havendo a ruptura com a dicotomia direito público x direito privado.
            Sendo assim, há de se encontrar na órbita da constituição, uma série de microcosmos jurídicos acessórios à esfera do direito civil, tais como o Estatuto do Idoso e o ECA. Esses microcosmos jurídicos são instituídos constitucionalmente e passam a gravitar em uma zona limítrofe entre esferas jurídicas maiores, tais como a esfera do direito civil.
            Uma vez que a própria constituição, a qual se submete todo o ordenamento jurídico de modo a garantir-lhe unidade e coesão, delimita as esferas de ação e influência do direito civil e cria novos microcosmos que o auxiliem na defesa de interesses privados, tem-se um direito civil diminuído de suas atribuições anteriores e entendido como um sistema jurídico a gravitar em torno da constituição e a ela ser submisso.
            Logo, todos os entes jurídicos que são defendidos pelo direito civil acabam por possuírem, dentro da esfera constitucional, sua validação estendida para além da frieza da norma escrita e estritamente em seus limites, mas poder-se-á compreender que tais entes estarão sujeitos a um controle de constitucionalidade a validar todas as normas do direito civil.
            Com isto, tem-se um direito civil mais ligado aos valores constitucionais de um povo e, em menor proporção, ligado aos interesses de quem detêm poderes e propriedades e abrindo espaço de coletivização dos entes protegidos pelo direito civil, criando para todos os entes uma função social.
            Claro está que a função social da propriedade e as responsabilidades individuais, que outrora pertenciam a um conceito liberal e liberalizante do direito civil, cabem hoje a maior de todas as esferas do direito, a esfera constitucional, visto que a mesma contempla estas ideias em todos os sentidos.
            Conclui-se que os valores que justificam e fundamentam a constituição acabaram por também  fundamentarem a nova concepção que tem-se sobre o código civil e suas consequências, visto inclusive sob o prisma das decisões dos tribunais onde esta hermenêutica constitucional acrescenta valor a toda leitura de preceitos do direito civil e seus entes de proteção.

Conversas partidas

   Estar longe de quem se ama já é uma tarefa inglória, por mais que se ocupe a mente, faça outras coisas, estude direito civil, leia um livro existencialista, o apaixonado sempre sentirá que sua vida está profundamente incompleta.
    A noite é extremamente fria, apesar do calor extenuante, o amanhecer será sempre terrível, ainda que tudo pareça estar em ordem, mas não está.
    Desesperados de solidão podemos recorrer às diversas maneiras de nos comunicarmos com a amada. O telefone é sempre a melhor escolha, pois apesar do Skype e das webcans, nada substitui o arrebatamento de sentidos produzido pela voz da mulher de sua vida.
    Porém o que era para ser um lenitivo para a dor acaba por se tornar um inferno graças às companhias telefônicas.
     Sim, elas mesmo. Aquelas que tem por trabalho diminuir as distâncias ao pagamento de bagatelas astronômicas, nem sempre cumprem devidamente o seu papel, apesar de seus belos comerciais de TV e seus planos tão econômicos quanto comer em um restaurante francês todos os almoços.
    Existe coisa mais irritante do que uma conversa partida?
    Existe algo pior do que ouvir o sumiço da voz de sua amada por razões desconhecidas?
    Existe algo pior do que deixar de ouvir um "EU TE AMO" sussurrado ao pé do ouvido, por uma falha de sinal?
     Se tem algo de bom que o governo deveria fazer seria proibir as empresas de telecomunicações de nos enganar.
    Avisem logo, "seja breve por que eu não garanto vai dar para vocês conversarem tudo o que precisam", informem para os apaixonados que o amor não pode ser suprido a distância, de que a dor causada pela geografia não pode ser curada por bom plano de celular e um Iphone. AVISEM
    Pior do que as palavras partidas, são os silêncios não consensuais. Porém estes não passam de um primeiro sinal do fim, de um apocalipse do relacionamento, do preparo escatológico para a despedida.
     Descobre-se que se ama alguém, quando o silêncio não constrange, as palavras bastam e a ausência dói mais que qualquer dor.

Ela é arquiteta

Ela me projeta,
reprojeta,
Constrói, 
me destrói.
me reconstrói!

Seus detalhes encantam,
suas formas enchem meu olhar
Ela é arquiteta, 
não tenho outra forma de pensar.

Sua obra mais linda
é sorriso que se abre ante a mim.
Sorriso feito de nobres materiais
parecem feitos de puro marfim.

Seu projeto é um sonho
que quero realizar.
O sonho de ter pra sempre na vida
alguém que sempre vai lhe amar.

Ela é arquiteta!

Ela me projeta,
reprojeta,
Constrói, 
me destrói,
me reconstrói!

Suas linhas finas e seu traço preciso
Sua lágrima bela e seu sorriso
Me fazem amar,
querer,
desejar,
querer novamente
enfim, me entregar.

Ela é arquiteta!
Seu amor é uma passagem secreta
Que me leva ate aquela felicidade que sempre sonhei!

Seu olhar me faz sentir completo
de espírito repleto
de um amor, 
que não sabia ser capaz de amar!
Mas, ela é arquiteta, 
ela soube projetar!

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Veja que lixo!

Por Jean Wyllys - Deputado Federal(PSOL-RJ)


u havia prometido não responder à coluna do ex-diretor de redação de Veja, José Roberto Guzzo, para não ampliar a voz dos imbecis. Mas foram tantos os pedidos, tão sinceros, tão sentidos, que eu dominei meu asco e decidi responder.
A coluna publicada na edição desta semana do libelo da editora Abril — e que trata sobre o relacionamento dele com uma cabra e sua rejeição ao espinafre, e usa esses exemplos de sua vida pessoal como desculpa para injuriar os homossexuais — é um monumento à ignorância, ao mal gosto e ao preconceito.
Logo no início, Guzzo usa o termo “homossexualismo” e se refere à nossa orientação sexual como “estilo de vida gay”. Com relação ao primeiro, é necessário esclarecer que as orientações sexuais (seja você hétero, gay ou bi) não são tendências ideológicas ou políticas nem doenças, de modo que não tem “ismo” nenhum. São orientações da sexualidade, por isso se fala em “homossexualidade”, “heterossexualidade” e “bissexualidade”. Não é uma opção, como alguns acreditam por falta de informação: ninguém escolhe ser gay, hétero ou bi.
O uso do sufixo “ismo”, por Guzzo, é, portanto, proposital: os homofóbicos o empregam para associar a homossexualidade à ideia de algo que pode passar de uns a outros – “contagioso” como uma doença – ou para reforçar o equívoco de que se trata de uma “opção” de vida ou de pensamento da qual se pode fazer proselitismo.
Não se trata de burrice da parte do colunista portanto, mas de má fé. Se fosse só burrice, bastaria informar a Guzzo que a orientação sexual é constitutiva da subjetividade de cada um/a e que esta não muda (Gosta-se de homem ou de mulher desde sempre e se continua gostando); e que não há um “estilo de vida gay” da mesma maneira que não há um “estilo de vida hétero”.
A má fé conjugada de desonestidade intelectual não permitiu ao colunista sequer ponderar que heterossexuais e homossexuais partilham alguns estilos de vida que nada têm a ver com suas orientações sexuais! Aliás, esse deslize lógico só não é mais constrangedor do que sua afirmação de que não se pode falar em comunidade gay e que o movimento gay não existe porque os homossexuais são distintos. E o movimento negro? E o movimento de mulheres? Todos os negros e todas as mulheres são iguais, fabricados em série?
A comunidade LGBT existe em sua dispersão, composta de indivíduos que são diferentes entre si, que têm diferentes caracteres físicos, estilos de vida, ideias, convicções religiosas ou políticas, ocupações, profissões, aspirações na vida, times de futebol e preferências artísticas, mas que partilham um sentimento de pertencer a um grupo cuja base de identificação é ser vítima da injúria, da difamação e da negação de direitos! Negar que haja uma comunidade LGBT é ignorar os fatos ou inscrição das relações afetivas, culturais, econômicas e políticas dos LGBTs nas topografias das cidades. Mesmo com nossas diferenças, partilhamos um sentimento de identificação que se materializa em espaços e representações comuns a todos. E é desse sentimento que nasce, em muitos (mas não em todos, infelizmente) a vontade de agir politicamente em nome do coletivo; é dele que nasce o movimento LGBT. O movimento negro — também oriundo de uma comunidade dispersa que, ao mesmo tempo, partilha um sentimento de pertença — existe pela mesma razão que o movimento LGBT: porque há preconceitos a serem derrubados, injustiças e violências específicas contra as quais lutar e direitos a conquistar.
A luta do movimento LGBT pelo casamento civil igualitário é semelhante à que os negros tiveram que travar nos EUA para derrubar a interdição do casamento interracial, proibido até meados do século XX. E essa proibição era justificada com argumentos muito semelhantes aos que Guzzo usa contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo.
Afirma o colunista de Veja que nós os homossexuais queremos “ser tratados como uma categoria diferente de cidadãos, merecedora de mais e mais direitos”, e pouco depois ele coloca como exemplo a luta pelo casamento civil igualitário. Ora, quando nós, gays e lésbicas, lutamos pelo direito ao casamento civil, o que estamos reclamando é, justamente, não sermos mais tratados como uma categoria diferente de cidadãos, mas igual aos outros cidadãos e cidadãs, com os mesmos direitos, nem mais nem menos. É tão simples! Guzzo diz que “o casamento, por lei, é a união entre um homem e uma mulher; não pode ser outra coisa”. Ora, mas é a lei que queremos mudar! Por lei, a escravidão de negros foi legal e o voto feminino foi proibido. Mas, felizmente, a sociedade avança e as leis mudam. O casamento entre pessoas do mesmo sexo já é legal em muitos países onde antes não era. E vamos conquistar também no Brasil!
Os argumentos de Guzzo contra o casamento igualitário seriam uma confissão pública de estupidez se não fosse uma peça de má fé e desonestidade intelectual a serviço do reacionarismo da revista. Ele afirma: “Um homem também não pode se casar com uma cabra, por exemplo; pode até ter uma relação estável com ela, mas não pode se casar”. Eu não sei que tipo de relação estável o senhor Guzzo tem com a sua cabra, mas duvido que alguém possa ter, com uma cabra, o tipo de relação que é possível ter com um cabra — como Riobaldo, o cabra macho que se apaixonou por Diadorim, que ele julgava ser um homem, no romance monumental de Guimarães Rosa. O que ele chama de “relacionamento” com sua cabra é uma fantasia, pois falta o intersubjetivo, a reciprocidade que, no amor e no sexo, só é possível com outro ser humano adulto: duvido que a cabra dele entenda o que ele porventura faz com ela como um “relacionamento”.
Guzzo também argumenta que “se alguém diz que não gosta de gays, ou algo parecido, não está praticando crime algum – a lei, afinal, não obriga nenhum cidadão a gostar de homossexuais, ou de espinafre, ou de seja lá o que for”. Bom, os gays somos como o espinafre ou como as cabras. Esse é o nível do debate que a Veja propõe aos seus leitores.
Não, senhor Guzzo, a lei não pode obrigar ninguém a “gostar” de gays, negros, judeus, nordestinos, travestis, imigrantes ou cristãos. E ninguém propõe que essa obrigação exista. Pode-se gostar ou não gostar de quem quiser na sua intimidade (De cabra, inclusive, caro Guzzo, por mais estranho que seu gosto me pareça!). Mas não se pode injuriar, ofender, agredir, exercer violência, privar de direitos. É disso que se trata.
O colunista, em sua desonestidade intelectual, também apela para uma comparação descabida: “Pelos últimos números disponíveis, entre 250 e 300 homossexuais foram assassinados em 2010 no Brasil. Mas, num país onde se cometem 50000 homicídios por ano, parece claro que o problema não é a violência contra os gays; é a violência contra todos”. O que Guzzo não diz, de propósito (porque se trata de enganar os incautos), é que esses 300 homossexuais foram assassinados por sua orientação sexual! Essas estatísticas não incluem os gays mortos em assaltos, tiroteios, sequestros, acidentes de carro ou pela violência do tráfico, das milícias ou da polícia.
As estatísticas se referem aos LGBTs assassinados exclusivamente por conta de sua orientação sexual e/ou identidade de gênero! Negar isso é o mesmo que negar a violência racista que só se abate sobre pessoas de pele preta, como as humilhações em operações policiais, os “convites” a se dirigirem a elevadores de serviço e as mortes em “autos de resistência”.
Qual seria a reação de todos nós se Veja tivesse publicado uma coluna em que comparasse os negros com cabras e os judeus com espinafre? Eu não espero pelo dia em que os homens concordem, mas tenho esperança de que esteja cada vez mais perto o dia em que as pessoas lerão colunas como a de Guzzo e dirão “veja que lixo!”.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Risoto requentado

   Chovia muito!
   Não ter um carro nessas horas é o fim de toda e qualquer tentativa de um programa minimamente decente com a namorada, mas a vida pode nos dar grandes lições.
   Enquanto contemplávamos a beleza um do outro, indubitavelmente ela é mais bela que eu, surgiu a maldição da fome. Sentimo-nos necessitados de resolver este problema contingencial.
   Eu que havia me programado para gastar uma grana em dos mais chiques restaurantes da cidade, tive que conter meu impulso, visto que a logística da chuva seria por demais cruel conosco, além do mais surgiu em nós um espírito de lua de mel e não era possível nos deslocarmos de seu quarto sem sentir um vazio que só preenchemos lá dentro.
    Surge então a sua voz, desbravando o delicioso silêncio que dominava, de forma tão deliciosa, nossos momentos de amor.
     - Tem um risoto que fiz ontem guardado na geladeira! Não sei se está bom.
     Não perco o tom galanteador e respondo que ao lado dela qualquer coisa seria deliciosa.
     Vamos à cozinha e vemos uma pequena, porém imponderável, pilha de louças a se lavar. Com minha objetividade masculina divido as tarefas tal qual um macho alfa e ela concorda pois fui razoável em minha divisão.
      - Lavo a louça enquanto você prepara o jantar minha querida - digo docemente e descubro que a doçura é mais forte que o brado.
      Gosto muito de lavar louça, enxuga-las então, nem se fala, porém nunca sozinho, preciso de uma companhia feminina para completar o ambiente, não sei viver em uma cozinha sem uma mulher comigo.
       Enquanto lavo toda louça, ela com uma enorme preocupação com os detalhes, arruma tudo e põe a mesa e nos servimos. Não havia vinho, não bebemos álcool, eu por tratar da epilepsia, ela por tratar de uma gastrite.
       Sentamo-nos e comemos educadamente cada garfada de nosso risoto de batatas e sardinha, comemos trocando vivos olhares e, vez por outra, pegamos um na mão do outro. Descubro então uma verdade absoluta, inquestionável, inelutável, um risoto requentado pode ser mais romântico do que um restaurante francês.
       Terminamos a refeição, trocamos carinhosos e confidentes olhares, nos sentimos felizes e completos, foi o melhor jantar de toda a minha vida.
       Dividimos novamente as tarefas, lavei a louça enquanto ela enxugava e guardava o pouco que sujamos deste jantar, novamente trocamos olhares e descubro que a vida só vale a pena quando o olhar dela se cruza com o meu e que todas as minhas dores podem ser amenizadas e esquecidas pelo simples olhar e pela sua simples presença.
       O amor habita na simplicidade dos detalhes!

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Woodstock já passou!

   Vejo alguns bons músicos, boas bandas e pessoas bem intencionadas tentando reviver o movimento musical da época do festival de Woodstock. Que o festival foi um evento histórico não há dúvida, porém precisa-se dar um passo além do rock setentista. Atrás de tudo isto está um sentimento de que não somos bons o suficiente.
   Penso que tudo isto tem a ver com a nossa baixa auto-estima, muitos pensam que o nosso tempo é um tempo de fracassos e tem razão, porém será que a solução é um eterno olhar para o passado? Será que reviver é o suficiente? Será que que bastando olhar para trás nossos problemas estarão resolvidos?
    Não tenho respostas.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Frase de Paulo Coelho

“O maior objetivo da vida é amar. O resto é silêncio. Precisamos amar. Mesmo que isso nos leve à terra onde os lagos são feitos de lágrimas.”

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

A PRIMEIRA NOITE DE QUEM AMA

 de Fabrício Carpinejar

Publicado no site da Vida Breve
http://www.vidabreve.com/uncategorized/a-primeira-noite-de-quem-ama


Na primeira noite, o casal que se vê amando não dormirá de conchinha. A nudez não entregará o sono. Os pés não se cumprimentarão ao final. As janelas não avisarão das horas. Os cabelos não irão boiar nos travesseiros até o amanhecer.

A primeira noite de amor, quando os dois percebem que podem realmente se querer, termina de repente.

Alguém terá que ir embora. Terá que cortar as frases inteiriças. Terá que oferecer uma desculpa furada. Terá que alegar que é tarde e que precisa trabalhar cedo. Terá que chamar o táxi de pé com uma objetividade perturbadora.

Quem se despede será grosseiro. Não esconderá o desconforto. A resposta física é que tudo deu errado, que o prazer não vingou na pele.

O que ficará sozinho na cama acreditará que o outro que se prontificou a se despedir no meio da madrugada se arrependeu do enlace e jamais manterá contato.

Mas o apaixonado e o indiferente são parecidos na primeira noite. O apaixonado se manda porque não suportou tanta beleza, encontrou-se atordoado, dependente, comovido, incerto, vacilante, receoso do seu futuro.

Não se preparou para viajar tão longe em seu desejo, estava vestido para atravessar apenas o tempo de uma noite. Não arrumou as malas de sua memória, partiu desprotegido com a roupa do trabalho.

Quando nos descobrimos amando, a primeira noite é terrível. Se você estava bêbado, logo recupera a lucidez — o amor é a mais cruel sobriedade.

Há uma instabilidade de escuta, uma confusão de conversa, um caos sinfônico. É como recuar um passo após um salto. Perde-se por completo o domínio do próprio gosto, vem a culpa de necessitar ainda mais do desconhecido e a curiosidade de adivinhar o que o sexo esconde em sua violência.

O homem de sua vida ou a mulher de sua vida não vai se apaziguar ao seu corpo e acordar junto na primeira noite. Isso é para os seguros de si, os confortáveis em seus sentimentos, os canalhas, os cafajestes, os sedutores.

Já aquele que pressente um amor de verdade, uma fé de verdade dentro do amor de verdade, abusará das mentiras para escapar do destino. Fugirá derrubando os olhos pelo corredor. Formará um amontoado de frases sem sentido, criará um depoimento qualquer para não alimentar esperanças, jurará com a mão errada sobre a Bíblia.

A primeira noite é própria da transformação covarde, é lua cheia ao lobisomem, é manhã radiosa ao vampiro.

O ímpeto é sair do quarto rapidamente, largar a cena prontamente, abandonar o casaco, a carteira, o que for, mas correr desse inferno que é se apaixonar e esperar uma notícia a cada meia hora. Afastar-se loucamente do cheiro poderoso do pescoço e da boca, da química prodigiosa que nos excita e nos corrompe de delicadeza.

Quem ama não ama na primeira noite. Assusta-se de amor.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Paixões de sol e lua


de Gabriel Otávio

"Hoje me apaixonei de novo.
tinha um sol, ali em cima,
num céu azul
olhando aqui pra baixo e sorrindo.
ontem, já à noite, eu tinha me apaixonado
só que pela lua que tava saindo,
lá por detrás daquela montanha...
ta vendo ali?
pois é, mas foi uma paixão breve,
a noite acabou e ela me deixou só.
mas o sol parecia que não ia me deixar,
faz algumas horas ele se foi.
e a lua voltou, toda arrependida,
dizendo que não ia mais embora.
mas eu duvido que ela fique.
e não duvido nada do sol fazer o mesmo amanhã.
porém, depois de pensar muito sobre isso,
descobri uma coisa
temos que nos apaixonar, de qualquer jeito
mesmo que nossos sóis e luas se vão,
eles voltam, ou talvez não,
mas se apaixonar é tão bom
que vale a pena, mesmo que só por um instante."

O que eu faço?

Se a vida me afasta de você
enquanto eu quero te abraçar.
Se o dia acaba cedo demais
enquanto quero passá-lo com você
Se a noite passa como um minuto
enquanto estamos dormindo juntos
Se nem sempre consigo olhar nos seus olhos
porque os mesmos estão distantes de mim.

O que eu faço?

Desprezo o tempo?
Desprezo a distância?
Desprezo as convenções sociais?

SIM

Por você desprezo o relógio, o calendário e a agenda.

Por você desconsidero se é dia ou noite.

Por você jogo fora meus óculos e permito que você me veja,
me olhe,
me desnude com o seu olhar!

O que eu faço?

Faço tudo acima e muito mais, além disso eu te espero!

Medianeras - Uma janela pode iluminar a vida

    O filme de Gustavo Taretto trata de questões, que em nosso tempo, tem se tornado cada vez mais latentes, tais como a solidão, a alienação em relação ao próprio corpo, a criação constante de fakes de si mesmo e os efeitos da urbanização sobre a psicologia dos indivíduos, criando uma série de castas arquitetonicamente construídos em um contexto de não afirmação de sua identidade.   A história começa com uma profunda reflexão sobre a cidade de Buenos Aires, uma cidade que possui, na diversidade de sua arquitetura, uma semiótica da identidade de lá vive e começam a se manifestar os universos particulares dos personagens, que apesar de viverem conectados ao mundo virtual, são como náufragos em meio a prédios de concreto armado.
   As relações se constroem sob a égide dos problemas comumente encontrados por aqueles que não se sentem pertencentes à nenhum grupo ou identidade social e para se sentirem pertencentes à algo, inventam fatos sobre si e sobre suas vidas, fatos de enorme futilidade, mas acabam por preencher o vazio existencial que possuem.
    Porém, isto não agrada, não constrói e não abre janelas para a alma de quem busca o amor. Até mesmo porque vivem em um tempo onde o amor não sabe onde deve se situar no mundo. Para uma boa compreensão das relações dentre amor e corpo em Medianera, sugiro a leitura do texto da filosofa Márcia Tiburi http://filosofiacinza.com/2012/10/31/amor-digital/ neste texto a autora trabalha com maestria as questões da relação do amor com o corpo.
     O ponto mais interessante do filme, ao meu ver, está na construção psicológica dos personagens protagonistas e como são pessoas com sensibilidade aguçada, possuem um olhar completamente peculiar sobre o mundo que os cerca e quando abrem-se as Medianeras (não explicarei o que isto quer dizer para não estragar a experiência de quem não viu o filme) e os personagens passam a ter uma nova visão de suas casas, universos e, consequentemente, suas vidas.
    A abertura de uma medianera em sua vida, pode iluminar, pode dar mais clareza sobre si e sobre a vida e, principalmente, podem ajudar a encontrar aquilo ao qual em toda a vida foi procurado

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Sofia

de Sara Meynard 
http://palavraquefala.blogspot.com.br/


Os sapos coaxavam; e nela, como um delírio, uma vibração: uma sobrevivência.

Esta é a história de uma sobrevivente. Quanto aquilo começou a importar mais que a própria vida.
- Está é vendo o tempo né Sofia? - uma voz soou confortavelmente melódica
Poucos sabiam, é que era difícil de falar. Como um suspiro - mas ficaria obvio para qualquer um que passasse por ela que o que se precisava naquele terreno, há muito infértil e talvez até meio esquecido, era um grito- um ar.
Desde que nasceu empenhou-se em uma construção perfeitamente simétrica dentro de si: foi erguendo compartimentos, separando sentimentos, guardando alguns pensamentos em um estoque puramente intelectual. Cada vez mais segmentada, já não havia mais princípios para separar: apenas trabalhava duro para organizar-se. Também segurava todas as paredes o tempo todo, pois estamos sempre suscetíveis a abalos, - dizia ela a si mesma - e qualquer terremoto era fortemente abafado por algum novo tipo de lógica.
À primeira vista, chegavam a ser afáveis suas microcasinhas, com todas as suas coisinhas dispostas e trancadas. A esse universo, dava o nome de intimidade. Com o tempo, passou a se chamar universo interior. Tão universal que ali crescia, cada vez mais. Sozinha. Às vezes, sim, noutras não. Ficava por ali horas; uma vez passaram-se dias. Tirava férias ali mesmo. Não por ser mais confortável, mas por parecer, digamos, mais profundo. E nem sequer parava para pensar na volta; ia ficando, ficando, ficando...
Por vezes tentava acelerar as ideias e ganhar tempo. Inútil. Gastava energia e perdia ar. Mas no mundo dela, o tempo era um só. Apesar de fragmentar o tempo do real, tentando organizar também o mundo além de si, o tempo do seu universo era apenas um. E por isso, não passava. Estendia-se. A isso, Sofia também deu um nome: fluxo.
Nós, humanos, tão perfeitamente enquadrados em nomenclaturas pequenas e vazias não percebemos nossa incapacidade de definir aquilo que somos, não é? Assim, alguns dariam um nome ao que ela faz: egoísmo... Não fosse o desespero.
Mas, tanto eu, narrador e cá detentor de parte da história, como você leitor e ai detentor de outra parte desta aventura, não sabemos o que era isso que nossa personagem tentava fazer. Assim como também ela, detentora de tudo, e ao mesmo tempo de nada, nadava sem chegar à praia.
A situação, já envolta nesta “turbulenta” confusão, começava a piorar. É que Sofia começara a identificar sua própria confusão. Ao se ver sem saídas, tentava agarrar-se cada vez mais as paredes. As paredes de suas construções caiam cada diz mais; por vezes, aprendera a gostar disto. Entretanto, muitas vezes desesperou-se. Tinha medo. Passando pelos seus corredores, ao que tentava sair dali, não conseguia; não conseguiria. Era algo tão maior que ela que chegava a engoli-la. Quase era digerida.
Para isto inventou artifícios: dava voltas e conseguia se salvar. Mas Sofia perdia-se, perdia-se, perdia-se... ela mesma assumia. Não percebia que perder-se é tão incrível que quem de fato se perde, não sabe que se perdeu.
Por ora, andava sentindo muita dor. Dor desta coisa maior que todo mundo tem e que se não toma cuidado, faz estrago. Tinha necessidades: produzir, ser, estar... soltava estes infinitos infinitivos aos que aproximavam-se... ah Sofia, quando vai aprender que estas nomenclaturas são tão inúteis quanto suas paredes?
O mais engraçado é que não cumpria com nenhuma delas! Ser, estar... lacunas preenchidas apenas por palavras...E o tempo no mundo real já passava. Os tempos confundiam-se, ela já não sabia separá-los; era cedo ou tarde? Talvez fosse agora.
-é vô. Mas já estou indo pra dentro
Quando percebeu, o avô tinha passado, a hora da janta tinha acabado. Seu estômago roncava e todos na casa já dormiam.

Somos donos de nós mesmos? - Uma análise de Michael J. Sandel

Baseado no livro "Justiça - Qual a coisa certa a ser feita?", de Michael J. Sandel


É justo taxar os lucros dos mais ricos para benefício dos pobres? É justo impedir que alguém faça aquilo que julga moralmente correto em prol de uma moral coletiva? É justo impedir que alguém assuma os riscos de suas ações por causa de medidas paternalistas do Estado? É justo não ter o direito pleno sobre o próprio corpo? Essas e outras perguntas são trabalhadas por Michael J. Sandel no livro Justiça.
                 Há uma corrente muito forte, principalmente ligada ao pensamento econômico norte-americano, que é a libertária. Segundo os libertários o capitalismo é o sistema econômico que propicia maior liberdade ao ser humano, principalmente quando os Estado intervêm minimamente possível sobre a vida humana. Para estes pensadores, o Estado deve “funcionar”, apenas e tão somente, como garantidor da liberdade individual, da administração da justiça e como garantia da propriedade privada.
                Para esta corrente o Estado não deve intervir se o indivíduo deseja por sua vida em risco ou vender seus órgãos e tão pouco proibir a pessoa de dar cabo da própria vida, desde que não prejudique um terceiro.
                No entanto, a principal incidência e campo de influência destas ideias de pensamento são na área econômica. Visto que, os maiores pensadores desta linha, defendem o livre mercado, o fim de medidas de distribuição de renda, baixos impostos e nenhuma medida de cunho protecionista.
                Economicamente falando, estes princípios remontam às obras de Adam Smith em A Riqueza das Nações. Porém, suas implicações morais, éticas e ligadas ao direito, são mais recentes e defendem diversos pontos que trabalharemos abaixo.
1-      Estado mínimo
Para os libertários o Estado moderno está muito errado, pois toda atitude paternalista, de parte do Estado é imoral e deve ser combatida. Além do mais, toda forma de gestão da moral coletiva deveria ser abolida e, por fim, não deve haver distribuição de renda e riqueza.
Sendo assim, o Estado não deve intervir se desejo fumar crack, casar-me com cinco mulheres (desde que seja consensual) e não mereço um centavo sequer do governo, caso venha a precisar. Nenhuma das minhas ações deve ser proibida pelo Estado, desde que não haja prejuízo para terceiros.
2- Filosofia do livre mercado
As ideias libertárias se fortalecem enormemente no terreno da economia, onde o laisses faire é a principal bandeira. Pensam os libertários que uma sociedade somente é de fato livre, quando seus cidadãos possuem pleno gozo de suas faculdades econômicas e intelectuais, além de livre usufruto de seus ganhos.
Adam Smith, em uma conferência, disse certa vez que, “para erguer uma sociedade da miséria ao mais alto grau de opulência, são necessárias apenas paz, baixos impostos e boa administração da justiça, o restante é conduzido pela mão invisível do mercado”.
Essa “metafísica econômica” é ardentemente defendida por grandes personalidades de nosso tempo, como Allen Ginsberg (que deu razão a Adam Smith em suas memórias, dizendo que o capitalismo globalizado vingou o liberalismo econômico), Margaret Thatcher (que, durante seu mandato de Primeira Ministra Inglesa, fechou minas de carvão por não serem lucrativas, gerando desemprego ) e Robert Nozick, que em sua obra Anarquia, Estado e Utopia, se põe contra todo tipo de taxação sobre as riquezas.
3 - Comércio de órgãos, suicídio assistido e canibalismo consensual
Os liberais também possuem uma posição divergente das adotadas pela maioria dos  Estados no que tange à propriedade do corpo e propriedade da vida.
Os mesmos defendem o direito que um indivíduo que seja possuidor de um par de rins saudáveis possa vender um deles para um indivíduo que careça de bons rins. O argumento se fia na ideia de que como sou dono de meu corpo que eu possa com ele fazer o que bem entender.
                Este princípio pode ser estendido para a prática da prostituição por pessoas maiores de idade. Visto que, são responsáveis por seus atos por que não poderiam vender o uso de seus corpos para finalidades sexuais?
Exponenciando este aspecto, o suicídio passa a ser um direito do indivíduo, visto que se a prática não trouxer nenhum problema a um terceiro,  não há razão pela qual o Estado deva interferir sobre o momento em que decido lucidamente dar cabo de minha existência.
As consequências sociais deste princípio são enormes, visto que, tornaria a eutanásia uma prática aceitável, desde que haja um médico que se disponha para tanto, ou até mesmo um suicídio ministrado, o que traria menor dor ao suicida e assim resolver-se-ia sua vontade.
Por fim, pode-se entender outro ponto altamente polêmico colocado por Sandel que seria o canibalismo consensual. Neste caso, o indivíduo entrega seu corpo para ser comido, o que dentro da ideia libertária seria algo perfeitamente aceitável e não condenável pelo poder estatal, visto que ambos estabelecem anteriormente uma relação de permissão para o ato.
São casos limítrofes ou estranhos ao nosso costumeiro e raso entendimento sobre a liberdade, porém devem ser estudados e, caso necessário, objetados para que, com isto, possamos nos emancipar cada vez mais como indivíduos.
Somos donos de nós mesmos?
Dado o entendimento do texto, concluímos que não somos plenamente livres e que, certas liberdades, efetivamente, devem ser impedidas. Nem sempre o indivíduo possui clareza em seu juízo de valor ao se expor a determinado risco, tão pouco é capaz de prever todos os resultados de suas ações, principalmente quando o resultado pode ser a morte, visto que a mesma é impossível de se reverter.
Além mais, não se pode fiar às implicações econômicas de tal postura. Pois, para aqueles que estão à margem das oportunidades, não há possibilidades senão uma inglória e diária luta, sem louros ou possibilidades.
 Nem todos possuem o talento esportivo de Michael Jordan ou a genialidade de Bill Gates e muitos que o possuem, não são reconhecidos em tempo para receber o seu quinhão. No mais Estados mínimos servem apenas para beneficiar grandes empresas e seus capitalistas, criando um despotismo do capital, ao qual, as recentes crises econômicas têm mostrado ser insustentável.
O Estado moderno como conhecemos precisa sim ser desconstruído em suas estruturas, mas não pode em hipótese alguma ser refundado sob uma ditadura do capital.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Se apaixonar dá medo

Se meu coração começa a pulsar diferente,
se canções românticas não deixam minha mente,
se as mãos tremem de medo da falta dela,
se há um frio na barriga de expectativa pela chegada dela,
se a ansiedade pela chegada dela te consome por inteiro,
se nem os seus comediantes favoritos te fazem rir,
se nada consegue mudar o seu ânimo.

Definitivamente, você está apaixonado!

Estar apaixonado dá medo,
porque quando ela chega, o coração pulsa mais forte ainda,
porque quando ela chega, as mãos param de tremer e começam a suar,
porque quando ela chega, o frio na barriga se torna insuportável
porque quando ela chega, a ansiedade por seu beijo aumenta ainda mais
porque quando ela chega, qualquer piada fica engraçada
porque quando ela chega, finalmente consigo um sorriso verdadeiro

Estar apaixonado dá medo,
E se ela se for,
e se ela não me amar,
e se ela me deixar,
e se ela nunca se apaixonar por mim.

Estar apaixonado dá medo,
e se tudo não passar de uma ilusão?

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

RESISTÊNCIA AO ELOGIO

(Fabrício Carpinejar)

Generosidade não é oferecer presentes, mas saber recebê-los.

Quando alguém nos dá algo que a gente queria muito, sabe o que falamos?
— Não precisava.

Por que mentimos?

Deveríamos dizer:
— Precisava sim, estava esperando tanto.

Isso demonstra uma dificuldade geral para ganhar elogios. Uma incompetência para ser feliz direto, de primeira, sem coitadismo, sempre temos que fazer charme e beiço e fingir que somos desimportantes.

Não acreditamos no elogio. Pensamos que é interesse, oportunismo, falsidade, exagero.

Se uma estranha recebe meu elogio, já julga que é cantada.

Se a namorada recebe meu elogio, já julga que quero sexo.

Se o filho me elogia de repente, eu já julgo que é pedido de dinheiro.

Mania de menosprezar o amor simplesmente porque não nos sentimos merecedores do amor.

As mulheres são as rainhas da culpa. Quer ver?

Encontro uma amiga no elevador e comento despretensiosamente:

— Que camisa linda!

Em vez de agradecer, ela vai se desculpar:
— Comprei barato numa liquidação.

Repare, eu não perguntei nada. Mas ela continua se justificando:
— Foi na loja Antonia Guedes, ali no Moinhos de Vento.

Ela é capaz de me dar o endereço, informar o nome da vendedora, o preço, tudo para não se sentir linda.

Por isso, hoje aceite o elogio com sinceridade. E diga apenas: obrigado, obrigado, obrigado!

Amor, Meu Grande Amor

(Ângela Rô Rô)


Amor, meu grande amor
Não chegue na hora marcada
Assim como as canções
Como as paixões
E as palavras...

Me veja nos seus olhos
Na minha cara lavada
Me venha sem saber
Se sou fogo
Ou se sou água...

Amor, meu grande amor
Me chegue assim
Bem de repente
Sem nome ou sobrenome
Sem sentir
O que não sente...

Pois tudo o que ofereço
É, meu calor, meu endereço
A vida do teu filho
Desde o fim, até o começo...

Amor, meu grande amor
Só dure o tempo que mereça
E quando me quiser
Que seja de qualquer maneira...

Enquanto me tiver
Que eu seja
O último e o primeiro
E quando eu te encontrar
Meu grande amor
Me reconheça...

Pois tudo que ofereço
É, meu calor, meu endereço
A vida do teu filho
Desde o fim até o começo...

Amor, meu grande amor
Que eu seja
O último e o primeiro
E quando eu te encontrar
Meu grande amor
Por favor, me reconheça...

Pois tudo que ofereço
É, meu calor, meu endereço
A vida do teu filho
Desde o fim até o começo...

Esta música é sensacional! Nada mais humano do que sofrer de amor, nada mais gostoso (apesar de sofrível). Nada mais profundo e carnal!
Quem nunca sofreu por amor, ainda não viveu!
Quem nunca sofreu por amor, ainda não amou!
Quem vê sempre seu amor chegar na hora marcada,
ainda não sabe o peso da saudade.

Tudo que é possível oferecer
é meu calor, é meu endereço.
Tudo que é possível oferecer
é mais amor, é mais saudade.

O sofrimento de amor, sente tudo acabar na chegada de seu amor!
O olhar desse amor, o sorriso e tudo mais cessam o sofrimento!

Sofrer por amor é necessário, principalmente quando ela não chega na hora marcada!

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Poesia Matemática



(Millôr Fernandes)

Às folhas tantas
do livro matemático
um Quociente apaixonou-se
um dia
doidamente
por uma Incógnita.
Olhou-a com seu olhar inumerável
e viu-a, do Ápice à Base,
uma figura ímpar:
olhos rombóides, boca trapezóide,
corpo octogonal, seios esferóides.
Fez da sua uma vida
paralela à dela
até que se encontraram
no infinito.
"Quem és tu?", indagou ele
em ânsia radical.
"Sou a soma do quadrado dos catetos.
Mas pode me chamar de Hipotenusa."
E de falarem descobriram que eram
(o que em aritmética corresponde
a almas irmãs)
primos entre si.
E assim se amaram
ao quadrado da velocidade da luz
numa sexta potenciação
traçando
ao sabor do momento
e da paixão
retas, curvas, círculos e linhas sinoidais
nos jardins da quarta dimensão.
Escandalizaram os ortodoxos das fórmulas euclidianas
e os exegetas do Universo Finito.
Romperam convenções newtonianas e pitagóricas.
E enfim resolveram se casar,
constituir um lar,
mais que um lar,
um perpendicular.
Convidaram para padrinhos
o Poliedro e a Bissetriz.
E fizeram planos, equações e diagramas para o futuro
sonhando com uma felicidade
integral e diferencial.
E se casaram e tiveram uma secante e três cones
muito engraçadinhos.
E foram felizes
até aquele dia
em que tudo vira afinal
monotonia.
Foi então que surgiu
O Máximo Divisor Comum
Freqüentador de círculos concêntricos,
viciosos.
Ofereceu-lhe, a ela,
uma grandeza absoluta
e reduziu-a a um denominador comum.
Ele, Quociente, percebeu
que com ela não formava mais um todo,
uma unidade.
Era o triângulo,
Tanto chamado amoroso.
Desse problema ela era uma fração,
a mais ordinária.
Mas foi então que Einstein descobriu a Relatividade
e tudo que era espúrio passou a ser
moralidade
como aliás em qualquer
sociedade.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Poema da minha querida Sara Meynard


de Sara Meynard

eu não gosto de cheios

órgãos completos

lacunas preenchidas

eu gosto de dúvidas

conflitos e aberturas

do buraco no escudo

de quando a armadura falha

e a arma não dispara

eu gosto de quando o tiro não acerta

e o alvo foge

gosto daquilo que se esconde

e finge não existir

é nas miudezas que me encontro

nas sarjetas de insuficiências

nos descartes

é o menor que me desproporciona

meu olhar é para baixo

pra raiz

que é na semente

que as grandes árvores frutificam.


                                                                                                                Te gosto

                                                                                                                pelos vazios e 

                                                                                                               solidões. 


http://palavraquefala.blogspot.com.br/
Leia com moderação, porque vicia! Ela tem muito talento!

Um poema de concreto

AREIA!
ÁGUA!
CIMENTO!
MISTURO!
MISTURO!
mIsTuRo!
mesturo!
masturo!
musturo!
mosturo!

Aplico em medidas proporcionais,
desproporcionando a proporcionalidade.

A parede está feita!

TIJOLOS!
REJUNTES!
OUTROS TIJOLOS!
OUTROS REJUNTES!

a parede fica torta
a parede é como minha vida

torta

     desnivelada
         
              desmensurada
                 
                   carente de alguém que saiba o que está fazendo!

EU NÃO SEI!

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Nem sempre temos bons dias

Nem todos os amanheceres são belos.
Nem todos os dias nascem iluminados.
Nem sempre existem bons motivos para se sair da cama.

A coragem de ontem se escondeu.
A alegria de ontem não senti.
Nenhuma piada me fez rir.
Mesmo assim o dever me chama!

Viver um dia após o outro,
ver a vida escorrer entre os dedos,
contemplar o fim das coisas,
vislumbrar o próprio fim,
sem saber se ela me ama!

Parece depressivo,
triste,
um poema a se envergonhar
versos que não prestam pra nada
formas estranhas de poetizar.
Mesmo assim tive que sair da cama!


quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Um beijo no rosto

Ela vem até a mim,
olha em meus olhos com respeito e carinho.
Beija meu rosto, bem próximo da boca.
Olha em meus olhos novamente,
esse olhar me mata, me ressuscita, me destrói, me constrói.

Minhas mãos ainda estão trêmulas,
seu perfume ficou no ar.

Ela sorri e um beijo em meu rosto foi capaz de acalmar a minha alma!

O silêncio que aproxima

Ela está sentada,
lê e estuda seus livros com admirável afinco.
Não sei o que dizer,
não tenho o que dizer.
Só sei que quero ficar perto dela.

Invento algo a fazer,
faço esse algo de forma cuidadosa
e, principalmente, pouco ruidosa
não quero tirar-lhe a concentração.

Termino,
não há nada a fazer próximo dela.
Seus estudos prosseguem com dedicação e afinco.
O silêncio no ambiente não incômoda,
não constrange,
não mostra o quanto o meu coração a aguarda.

Descubro que só se gosta de alguém
se o silêncio não for um incômodo,
se apenas a aura de sua presença bastasse,
se minha felicidade não dependesse nem de um sim
e nem de um não.

Ela só depende de tê-la por perto!

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Cristovam critica ‘misturada’ partidária que faz legendas perderem identidade


O Senador Cristovam Buarque (PDT-DF) afirmou, em discurso nesta segunda-feira (8), que a mistura partidária montada para as eleições mostra que as legendas perderam suas cores, sua ideologia, suas propostas e sua identidade.
- Nós transformamos os partidos em siglas eleitorais, não propositivas. E isso é uma tragédia política para um país: a falta de clareza e de propostas antagônicas em nível nacional – disse.
Cristovam questionou a “misturada” de partidos nas alianças, que vem se repetindo e aumentando desde 2002. Ele lamentou que ainda não tenha ocorrido uma reforma partidária que permita trazer de volta o debate ideológico. Para ele, a democracia brasileira, em vigor há mais de 20 anos, está incompleta.
- Ela é incompleta por falta de partidos com nitidez, pela possibilidade de compra de votos, pelas contribuições privadas, que amarram os eleitos aos contribuintes de suas campanhas, pela corrupção. É uma democracia que precisa dar um salto. E nenhum dos presidentes – Fernando Henrique, Lula e Dilma – teve a ousadia de trazer para cá uma proposta de reforma política que complemente a democracia, que, em 20 anos, está ficando velha – avaliou.
Mais uma vez, Cristovam elogiou os programas de transferência de renda que estão há alguns anos auxiliando as camadas mais pobres da população a ter dignidade, mas propôs que haja um salto da transferência de renda para a emancipação do povo.
- É preciso fazer com que, no país, ninguém precise receber ajuda, mas ninguém discute como se fazer essa emancipação - disse.
O senador lamentou que no país se discuta quem consegue aumentar o número de bolsas-famílias e não quem é capaz de torná-la desnecessária para a população.
- Essa inflexão é um debate ideológico, o debate da generosidade versus o debate da emancipação, e não se viu isso nessa campanha – lamentou ainda Cristovam.
Além da discussão sobre como encontrar a melhor saída para não ser mais necessário pagar bolsas, observou o senador, ainda é preciso que os partidos debatam a responsabilidade fiscal, que infelizmente começa a ser relaxada e foi uma conquista tão importante quanto a democracia no Brasil; que tenham propostas sobre a melhoria do controle dos gastos públicos; e principalmente, que discutam o modelo econômico do Brasil que é o modelo da exportação de bens primários, que já dura 500 anos, e a indústria metal-mecânica, sobretudo a indústria automobilística, que já dura 50 anos
- É preciso substituir tudo isso por um modelo que carregue a distribuição de renda dentro do produto e não passando pelo Tesouro. A indústria de automóveis privados é uma indústria concentradora, a indústria de ônibus é uma indústria distributiva; é isso que nós temos que fazer: uma indústria distributiva que respeite o meio ambiente e uma política econômica baseada na alta tecnologia que é o que vai fazer a economia do futuro – declarou.

Fonte: http://cristovam.org.br/portal3/index.php?option=com_content&view=article&id=5104%3Acristovam-critica-misturada-partidaria-que-faz-legendas-perderem-identidade&catid=170%3Asuper-manchete&Itemid=100003

Ensaio sobre a cegueira - Um livro para a pós-modernidade

   Terminei hoje a leitura de um livro de tirar o fôlego, Ensaio sobre a cegueira do genial José Saramago. 
   Não há momento de sossego, a escrita é cortante e o estilo do velho José, me fizeram enxergar a realidade humana de uma maneira nova, porém pessimista. 
   Saramago neste ensaio mostra que o ser humano em situações limítrofes pode se transformar em um verdadeiro animal, insensível e admiravelmente terrível.
   O genial autor português trabalha todo tipo de sentimentos inerentes aos seres humanos e, principalmente, a responsabilidade de se ter olhos em um mundo de cegos.
 "Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara. (livro dos conselhos)"

"É desta massa que nós somos feitos, metade de indiferença e metade de ruindade."

"O medo cega... são palavras certas, já éramos cegos no momento em que cegámos, o medo nos cegou, o medo nos fará continuar cegos."
                   " Por que foi que cegámos, Não sei, talvez um dia se chegue a conhecer a razão, Queres que te diga o que penso, Diz, Penso que não cegámos, penso que estamos cegos, Cegos que vêem, Cegos que, vendo, não vêem."

       Definitivamente, este livro nunca foi tão atual!
 

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

“A Alemanha não tem o direito de eximir-se dos seus deveres”

ARTIGO | 8 OUTUBRO, 2012 - 15:58

O herói da resistência grega à ocupação nazi divulga uma declaração por ocasião da visita à Grécia da chanceler Angela Merkel em que recorda a suspensão de pagamentos da dívida alemã em 1953 e alerta para o crescimento da extrema-direita no seu país.


Declaração de Manolis Glezos a propósito da visita à Grécia da chanceler alemã Angela Merkel por ocasião da visita da chanceler Angela Merkel à Grécia consideramos que é o nosso dever recordar, tanto a ela quanto ao primeiro-ministro grego que:

1. A grande e poderosa Alemanha não tem o direito de eximir-se dos seus deveres, privando a Grécia do que lhe é devido na base do Direito Internacional, ao mesmo tempo que também não se permite que a Grécia abdique dos seus direitos.

2. As violações do Direito Internacional e dos princípios humanos da honra e da moral trazem o perigo de ver repetirem-se os fenómenos que submeteram a Europa a sangue e fogo. O reconhecimento dos crimes nazis constitui uma garantia elementar de que tais monstruosidade não se voltem a repetir.

O nosso povo não esqueceu e não deve esquecer. Hoje, não pede vingança, mas sim justiça. Desejamos que os alemães também não tenham esquecido. Porque os povos que não recordam a sua memória histórica estão condenados a repetir os mesmos erros. E parece que Angela Merkel conduz o seu país, e inclusive a parte mais sensível do povo, a juventude, por esse caminho escorregadio, já que ao dirigir-se aos jovens do seu partido não duvidou em dizer que “a ajuda à Grécia deve estar ligada aos deveres da Grécia”. E sobre os deveres da Alemanha?
Esperávamos que a chanceler tivesse dado mostras de uma atitude análoga à dos aliados em relação à Alemanha quando, em 1953, a suspensão dos pagamentos da dívida e a ajuda económica que lhe ofereceram contribuíram para o desenvolvimento e a reconstrução da Alemanha. A Grécia de então não esteve ausente daquele esforço.
Não temos a intenção de convidar a chanceler para um jantar. Mas convidamo-la a visitar o Campo de Tiro de Kaisariani para que veja ainda hoje, 67 anos depois do fim da guerra, que a relva continua a não crescer no lugar onde tanto sangue foi derramado. A terra não se esquece. E os homens também não têm o direito de esquecer.
É o momento de unir a nossa voz à do presidente do partido da Esquerda alemã (Die Linke), B. Rixinger, que a propósito da chegada a Angela Merkel à Grécia, lhe pede que ouça aqueles que resistem aos cortes brutais que ameaçam aprofundar a polarização do país e adverte-a de que a Grécia está em risco de catástrofe humanitária.
Já estamos a pagar esta polarização no meu país com o surgimento da Aurora Dourada. Vamos ficar de braços cruzados, à espera de ver também as consequências da catástrofe humanitária? Nessa altura será demasiado tarde não só para a Grécia, como também para a Europa inteira.

Manolis Glezos, 90 anos, é o símbolo vivo da resistência contra a ocupação nazi. A 30 de maio de 1941, foi um dos dois jovens que retiraram a enorme bandeira nazi que tremulava na Acrópole. Condenado à morte em repetidas ocasiões durante e depois da guerra civil, M. Glezos passou no total mais de onze anos na cadeia. Hoje é deputado pelo Syriza (Coligação de Esquerda Radical).

Tradução de Luis Leiria para o Esquerda.net

1 No dia 1 de maio de 1944, no Campo de Tiro de Kaisariani, um subúrbio de Atenas, 200 ativistas políticos gregos foram executados pelos ocupantes nazis como vingança pela morte do general alemão Franz Krech, que caíra numa emboscada da resistência dias antes.

Fonte: http://www.esquerda.net/artigo/%E2%80%9C-alemanha-n%C3%A3o-tem-o-direito-de-eximir-se-dos-seus-deveres%E2%80%9D/24952

As pessoas mudam

Ela chegava e sua presença enchia o ambiente,
seus olhos me enfeitiçavam, sua boca era cintilante,
seus cabelos eram os de uma deusa,
suas falas eram como as de uma musa.

Passa o tempo, mas nem tanto,
passam dias, mas nem tantos,
passam horas, mas nem tantas.
Enfim o alvorecer não pode ser o culpado.

Seu rosto está igual, mas seu semblante está diferente
Seus olhos são os mesmos, porém o olhar está diferente,
Sua boca é a mesma, mas o mover de seus lábios não me seduz mais.
Ela não é mais uma musa, deusa ou algo que o valha.

Algo no ar mudou,
mudei?
ela mudou?
mudamos todos?
não sei! 
Só sei que não aprendi ainda como é a vida.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Para moça charmosa

De Pablo Sathler


Pois então, isso nunca havia acontecido
Não mesmo! É SÉRIO !
As outras vezes, que eu achava que era
Não eram. NÃO MESMO!

As vezes que eu achava que era
Eram ideais demais
Longe demais
Distantes demais

Desta vez, estava perto.
Tão perto que sentiu minha pulsação
Não é ?
Mas desta vez, era sério.

Tão sério que chorei
Chorei mesmo
Não é ?
Pois então

Porém, ela não estava no mesmo BPM
Não mesmo!
Ela era uma quiáltera de sete
E eu um quatro por quatro