Terminada a primeira temporada de Sense8 fico com a sensação de fazer parte de um dos 8 protagonistas dessa genial série.
Não quero pagar uma de critico especializado, porque não o sou, apenas quero dizer que fiquei aterrado sem comer ou dormir direito até ver o desenrolar da primeira temporada, que vinda deixando uma série de pontas soltas para serem resolvidas em uma temporada seguinte, a qual, eu torço para que aconteça o mais rápido possível.
Os criadores de Matrix acertaram em cheio ao criar uma série cheia de densidade em todos os seus personagens, sem deixar de ter ação, romance e vários micro-universos gravitando em torno dos 8 protagonistas, deixando até os coadjuvantes interessantes e cativantes.
Vale a pena, se você não assistir, o problema é seu, você é quem está perdendo.
quarta-feira, 24 de junho de 2015
sexta-feira, 5 de junho de 2015
Para você estar passando adiante
Por Ricardo Freire
Este artigo foi feito especialmente para que você possa estar recortando e possa estar deixando discretamente sobre a mesa de alguém que não consiga estar falando sem estar espalhando essa praga terrível da comunicação moderna, o gerundismo. Você pode também estar passando por fax, estar mandando pelo correio ou estar enviando pela Internet. O importante é estar garantindo que a pessoa em questão vá estar recebendo esta mensagem, de modo que ela possa estar lendo e, quem sabe, consiga até mesmo estar se dando conta da maneira como tudo o que ela costuma estar falando deve estar soando nos ouvidos de quem precisa estar escutando. Sinta-se livre para estar fazendo tantas cópias quantas você vá estar achando necessárias, de modo a estar atingindo o maior número de pessoas infectadas por esta epidemia de transmissão oral. Mais do que estar repreendendo ou estar caçoando, o objetivo deste movimento é estar fazendo com que esteja caindo a ficha nas pessoas que costumam estar falando desse jeito sem estar percebendo. Nós temos que estar nos unindo para estar mostrando a nossos interlocutores que, sim!, pode estar existindo uma maneira de estar aprendendo a estar parando de estar falando desse jeito. Até porque, caso contrário, todos nós vamos estar sendo obrigados a estar emigrando para algum lugar onde não vão estar nos obrigando a estar ouvindo frases assim o dia inteirinho. 2 Sinceramente: nossa paciência está estando a ponto de estar estourando. O próximo "Eu vou estar transferindo a sua ligação" que eu vá estar ouvindo pode estar provocando alguma reação violenta da minha parte. Eu não vou estar me responsabilizando pelos meus atos. As pessoas precisam estar entendendo a maneira como esse vício maldito conseguiu estar entrando na linguagem do dia-a-dia. Tudo começou a estar acontecendo quando alguém precisou estar traduzindo manuais de atendimento por telemarketing. Daí a estar pensando que "We'll be sending it tomorrow" possa estar tendo o mesmo significado que "Nós vamos estar mandando isso amanhã" acabou por estar sendo só um passo. Pouco a pouco a coisa deixou de estar acontecendo apenas no âmbito dos atendentes de telemarketing para estar ganhando os escritórios. Todo mundo passou a estar marcando reuniões, a estar considerando pedidos e a estar retornando ligações. A gravidade da situação só começou a estar se evidenciando quando o diálogo mais coloquial demonstrou estar sendo invadido inapelavelmente pelo gerundismo. A primeira pessoa que inventou de estar falando "Eu vou tá pensando no seu caso" sem querer acabou por estar escancarando uma porta para essa infelicidade linguística estar se instalando nas ruas e estar entrando em nossas vidas. Você certamente já deve ter estado estando a estar ouvindo coisas como "O que cê vai tá fazendo domingo?", ou "Quando que cê vai ta viajando pra praia?", ou "Me espera, que eu vou tá te ligando assim que eu chegar em casa". Deus! O que a gente pode tá fazendo pra que as pessoas tejam entendendo o que esse negócio pode tá provocando no cérebro das novas gerações? A única solução vai estar sendo submeter o gerundismo à mesma campanha de desmoralização à qual precisaram estar sendo expostos seus coleguinhas contagiosos, como o "a nível de", o "enquanto", o "pra se ter uma idéia" em outros menos votados. A nível de linguagem, enquanto pessoa, o que você acha de tá insistindo em tá falando desse jeito?
Este artigo foi feito especialmente para que você possa estar recortando e possa estar deixando discretamente sobre a mesa de alguém que não consiga estar falando sem estar espalhando essa praga terrível da comunicação moderna, o gerundismo. Você pode também estar passando por fax, estar mandando pelo correio ou estar enviando pela Internet. O importante é estar garantindo que a pessoa em questão vá estar recebendo esta mensagem, de modo que ela possa estar lendo e, quem sabe, consiga até mesmo estar se dando conta da maneira como tudo o que ela costuma estar falando deve estar soando nos ouvidos de quem precisa estar escutando. Sinta-se livre para estar fazendo tantas cópias quantas você vá estar achando necessárias, de modo a estar atingindo o maior número de pessoas infectadas por esta epidemia de transmissão oral. Mais do que estar repreendendo ou estar caçoando, o objetivo deste movimento é estar fazendo com que esteja caindo a ficha nas pessoas que costumam estar falando desse jeito sem estar percebendo. Nós temos que estar nos unindo para estar mostrando a nossos interlocutores que, sim!, pode estar existindo uma maneira de estar aprendendo a estar parando de estar falando desse jeito. Até porque, caso contrário, todos nós vamos estar sendo obrigados a estar emigrando para algum lugar onde não vão estar nos obrigando a estar ouvindo frases assim o dia inteirinho. 2 Sinceramente: nossa paciência está estando a ponto de estar estourando. O próximo "Eu vou estar transferindo a sua ligação" que eu vá estar ouvindo pode estar provocando alguma reação violenta da minha parte. Eu não vou estar me responsabilizando pelos meus atos. As pessoas precisam estar entendendo a maneira como esse vício maldito conseguiu estar entrando na linguagem do dia-a-dia. Tudo começou a estar acontecendo quando alguém precisou estar traduzindo manuais de atendimento por telemarketing. Daí a estar pensando que "We'll be sending it tomorrow" possa estar tendo o mesmo significado que "Nós vamos estar mandando isso amanhã" acabou por estar sendo só um passo. Pouco a pouco a coisa deixou de estar acontecendo apenas no âmbito dos atendentes de telemarketing para estar ganhando os escritórios. Todo mundo passou a estar marcando reuniões, a estar considerando pedidos e a estar retornando ligações. A gravidade da situação só começou a estar se evidenciando quando o diálogo mais coloquial demonstrou estar sendo invadido inapelavelmente pelo gerundismo. A primeira pessoa que inventou de estar falando "Eu vou tá pensando no seu caso" sem querer acabou por estar escancarando uma porta para essa infelicidade linguística estar se instalando nas ruas e estar entrando em nossas vidas. Você certamente já deve ter estado estando a estar ouvindo coisas como "O que cê vai tá fazendo domingo?", ou "Quando que cê vai ta viajando pra praia?", ou "Me espera, que eu vou tá te ligando assim que eu chegar em casa". Deus! O que a gente pode tá fazendo pra que as pessoas tejam entendendo o que esse negócio pode tá provocando no cérebro das novas gerações? A única solução vai estar sendo submeter o gerundismo à mesma campanha de desmoralização à qual precisaram estar sendo expostos seus coleguinhas contagiosos, como o "a nível de", o "enquanto", o "pra se ter uma idéia" em outros menos votados. A nível de linguagem, enquanto pessoa, o que você acha de tá insistindo em tá falando desse jeito?
segunda-feira, 6 de outubro de 2014
Um dia como mesário
A todos que defendem arduamente um mundo melhor e carregam um sem número de ideologias de transformação da sociedade por meio da política, aconselho que passem seu dia como mesário na eleição. Pode parecer pilhéria (aprendi esta palavra outro dia e achei um máximo, uso sempre que posso), mas não é. Acompanhar o processo eleitoral é algo efetivamente interessante para um amante da política como eu e me fez ter uma nova percepção das coisas.
Comecei o dia muito mal, atrasei-me e foi muito, mas meus colegas de seção foram extremamente generosos em me explicar pacientemente o trabalho a ser executado e em não criar problemas com a minha ausência de pontualidade na primeira hora de trabalho.
Uma vez aprendido o trabalho, passo a executá-lo com um bom humor inesperado e uma simpatia comum, porém constante e de altíssima densidade democrática, ou seja, para com todos, sem distinção de absolutamente nenhum adjetivo e com a habitualidade para com o trabalho, começo a ser mecanicamente simpático, mecanicamente gentil e mecanicamente eficiente.
Vendo tal proeza comecei então a deixar meu cérebro livre para a observação do processo democrático e vejo uma série de mazelas de nossa eleição, às quais me deixam profundamente cético.
Primeiramente, os eleitores, em sua extensa maioria, sequer conheciam com profundidade seus próprios candidatos, especialmente, no que se refere (dilmei) ao legislativo. Votam porque viram o papel na rua ou receberam a cola de alguém ali na hora, ou então porque... porque quiseram e ponto.
Não que eu tenha feito algum inquérito com os eleitores de minha seção, mas bastava manter meus ouvidos ligados nas falas dos eleitores para ficar desapontado com as terríveis e completamente estapafúrdias opiniões dos eleitores, onde se fundamentava toda a estrutura de seus votos.
Outra coisa me chamou a atenção, vários dos eleitores sequer sabiam, mesmo tendo a maciça propaganda sobre o assunto, a maneira de usar sua urna. Sério, eles não sabiam qual a sequência, nem o que não podiam fazer e muitos sequer sabiam onde seria a sua seção, apesar de tudo estar organizado e informado com clareza. Ou seja, se a pessoa não sabe como votar, definitivamente não saberá porque votar e seu voto dificilmente possuirá a qualidade que necessita.
Muitos escolheram seus candidatos por medo de perderem algo que pensam ter, outros por uma estranha gratidão, pois se algum candidato cumpriu seu mandato bem, isto não passa de sua obrigação enquanto tal, outros votaram baseados em coisas que ouviram falar, coisas que não possuem a menor conexão com a realidade objetiva e que nem em um delírio dos marqueteiros seria possível falar.
Por fim, terminamos nosso trabalho enquanto "funcionários da democracia", saí de lá cético quanto ao futuro, acompanhei o resultado da urna de minha seção, achei interessante e fui para casa extremamente pensativo sobre o que é mais importante, uma ideologia ou um bom pragmatismo político?
Pensei, pensei e por fim vi a apuração, me entristeci, meu candidato não foi para o segundo turno, passou nem perto, foi vergonhosamente derrotado nas urnas e o que me causou espécie foi a paupérrima votação por ele recebida. Perder é do jogo, mas não precisava ser assim.
Sento, assisto todos os programas sobre as eleições que a tv aberta transmitiu. Assisto a debates na internet e passo o dia seguinte estudando o que houve e me volta aquela pergunta:
- O que é melhor? Uma ideologia ou um bom pragmatismo político?
E chego, caro leitor, a uma conclusão. Prefiro tucanar!
Comecei o dia muito mal, atrasei-me e foi muito, mas meus colegas de seção foram extremamente generosos em me explicar pacientemente o trabalho a ser executado e em não criar problemas com a minha ausência de pontualidade na primeira hora de trabalho.
Uma vez aprendido o trabalho, passo a executá-lo com um bom humor inesperado e uma simpatia comum, porém constante e de altíssima densidade democrática, ou seja, para com todos, sem distinção de absolutamente nenhum adjetivo e com a habitualidade para com o trabalho, começo a ser mecanicamente simpático, mecanicamente gentil e mecanicamente eficiente.
Vendo tal proeza comecei então a deixar meu cérebro livre para a observação do processo democrático e vejo uma série de mazelas de nossa eleição, às quais me deixam profundamente cético.
Primeiramente, os eleitores, em sua extensa maioria, sequer conheciam com profundidade seus próprios candidatos, especialmente, no que se refere (dilmei) ao legislativo. Votam porque viram o papel na rua ou receberam a cola de alguém ali na hora, ou então porque... porque quiseram e ponto.
Não que eu tenha feito algum inquérito com os eleitores de minha seção, mas bastava manter meus ouvidos ligados nas falas dos eleitores para ficar desapontado com as terríveis e completamente estapafúrdias opiniões dos eleitores, onde se fundamentava toda a estrutura de seus votos.
Outra coisa me chamou a atenção, vários dos eleitores sequer sabiam, mesmo tendo a maciça propaganda sobre o assunto, a maneira de usar sua urna. Sério, eles não sabiam qual a sequência, nem o que não podiam fazer e muitos sequer sabiam onde seria a sua seção, apesar de tudo estar organizado e informado com clareza. Ou seja, se a pessoa não sabe como votar, definitivamente não saberá porque votar e seu voto dificilmente possuirá a qualidade que necessita.
Muitos escolheram seus candidatos por medo de perderem algo que pensam ter, outros por uma estranha gratidão, pois se algum candidato cumpriu seu mandato bem, isto não passa de sua obrigação enquanto tal, outros votaram baseados em coisas que ouviram falar, coisas que não possuem a menor conexão com a realidade objetiva e que nem em um delírio dos marqueteiros seria possível falar.
Por fim, terminamos nosso trabalho enquanto "funcionários da democracia", saí de lá cético quanto ao futuro, acompanhei o resultado da urna de minha seção, achei interessante e fui para casa extremamente pensativo sobre o que é mais importante, uma ideologia ou um bom pragmatismo político?
Pensei, pensei e por fim vi a apuração, me entristeci, meu candidato não foi para o segundo turno, passou nem perto, foi vergonhosamente derrotado nas urnas e o que me causou espécie foi a paupérrima votação por ele recebida. Perder é do jogo, mas não precisava ser assim.
Sento, assisto todos os programas sobre as eleições que a tv aberta transmitiu. Assisto a debates na internet e passo o dia seguinte estudando o que houve e me volta aquela pergunta:
- O que é melhor? Uma ideologia ou um bom pragmatismo político?
E chego, caro leitor, a uma conclusão. Prefiro tucanar!
quarta-feira, 1 de outubro de 2014
O bigode do Fidelix
O bigode de Fidelix é a única coisa interessante nos debates, assim me disse um taxista, com ar profético e dramático. Pensei a respeito e o senhor trabalhador dos transportes está coberto de razão.
Em uma eleição onde nada se diz de tão interessante, ver aquela performance cheia de números, estatísticas e informações desencontradas e ideias infundadas, ver o élan da forma que este distinto senhor defende o que pensa ou o que pensa pensar, mesmo ciente de sua irrelevância política, é no mínimo comovente.
Para que nova política? Perderemos este festival de mediocridade reconhecida, pois, se o século passado ficou conhecido pela ascenção dos idiotas, neste veremos o declínio dos menos idiotas de forma irrecuperável, tudo ficará cada vez menos importante e interessante.
Levi Fidelix é isso, alguém irrelevantemente irrecuperável e irascível, onde nada faz sentido senão a profunda negritude de seu bigode. Não digo isto por pura pilhéria, sua figura estrionica, de estética estéril e pouca profundidade ideológica me faz ter pelo digníssimo candidato uma inebriante simpatia, embora o mesmo não seja digno de engraxar os sapatos de doutor Enéas Carneiro ele é o cavaleiro das causas impossíveis e improváveis, o patético defensor de valores retrógrados, a caricatura do patriota que julga possuir uma solução para todos os problemas da nação.
Mesmo assim, essa figura estrionica gera em mim uma certa simpatia, ele me lembra aquele tio cheio de idéias e verdades, mas que é um completo alienado diante das coisas em si.
Fidelix é o arquétipo do Dom Quixote político, cercado de Sanchos ele desfila com grande fibra seus planos de governo e suas metas, luta contra moinhos cada vez mais estranhos, luta contra sua própria irrelevância.
Em uma eleição onde nada se diz de tão interessante, ver aquela performance cheia de números, estatísticas e informações desencontradas e ideias infundadas, ver o élan da forma que este distinto senhor defende o que pensa ou o que pensa pensar, mesmo ciente de sua irrelevância política, é no mínimo comovente.
Para que nova política? Perderemos este festival de mediocridade reconhecida, pois, se o século passado ficou conhecido pela ascenção dos idiotas, neste veremos o declínio dos menos idiotas de forma irrecuperável, tudo ficará cada vez menos importante e interessante.
Levi Fidelix é isso, alguém irrelevantemente irrecuperável e irascível, onde nada faz sentido senão a profunda negritude de seu bigode. Não digo isto por pura pilhéria, sua figura estrionica, de estética estéril e pouca profundidade ideológica me faz ter pelo digníssimo candidato uma inebriante simpatia, embora o mesmo não seja digno de engraxar os sapatos de doutor Enéas Carneiro ele é o cavaleiro das causas impossíveis e improváveis, o patético defensor de valores retrógrados, a caricatura do patriota que julga possuir uma solução para todos os problemas da nação.
Mesmo assim, essa figura estrionica gera em mim uma certa simpatia, ele me lembra aquele tio cheio de idéias e verdades, mas que é um completo alienado diante das coisas em si.
Fidelix é o arquétipo do Dom Quixote político, cercado de Sanchos ele desfila com grande fibra seus planos de governo e suas metas, luta contra moinhos cada vez mais estranhos, luta contra sua própria irrelevância.
segunda-feira, 29 de setembro de 2014
Personagem desse tempo
Ele tem um olhar um pouco triste, passa a todos um ar meio blasé, afinal, para os pseudocults é fundamental ter um ar deprimido, a vida não é boa para ninguém e o mundo é cruel demais para se viver sorrindo. Para ele Deus não existe, a vida não tem sentido algum e a morte é a única certeza inevitável. Com este patético acervo intelectual ele conduz sua vida e essas conclusões que para muitos são óbvias, para outros um escândalo, são a razão do nosso personagem se julgar alguém mais inteligente e especial que o restante da humanidade.
Antes de prosseguir com a história, gostaria de dizer que existem tipos desses aos borbotões, geralmente se auto intitulam muito bem e possuem uma enorme facilidade em dizer que são algo que sequer parecem ser. Costumam se autodenominar como poetas, sem ter uma obra a apresentar, ou então filósofos, sem nunca terem produzido um trabalho intelectual de algum dos milhões de assuntos atinentes ao amor à sabedoria.
Só faltava dizer que nosso personagem não trabalhava, sua vida é cheia de "trabalhos criativos" e que estes trabalhos lhe tomam seu tempo de forma excessiva e que prefere passar por sérias necessidades financeira a se submeter ao modo opressor que se ganha a vida no regime capitalista.
Nosso personagem, caro leitor, povoa as redes sociais com seus tratados e suas críticas contumazes a tudo o quanto há e existe, afinal, o mundo é opressor demais. Nosso personagem pensa que a arte é um refúgio e uma manifestação de sua genialidade.
Tenho um amigo, que por sinal detesta o nosso personagem, que diz que falta proletarismo na vida de muita gente. Sim o termo é esse, meu amigo inventa palavras vez por outra.
Voltemos ao nosso personagem, não lhe darei nome, se chamará Personagem.
Certa feita encontramo-nos para conversar algo sem importância, então Personagem começou com seu discursinho. Suas conclusões não possuem premissas, quase todas as suas críticas se baseiam em argumentos ad hominem e seu cabedal intelectual era limitado como exposto acima, mas como a diferença entre a genialidade e a estupidez é que a primeira tem limite, não cessava de falar:
- Temos que continuar com o atual governo, melhor que a volta dos coxinhas...
Fico em silêncio.
- Estou com um novo projeto, tem tudo para dar certo...
Aceno positivamente com minha cabeça, simulando aprovar seu projeto.
- Sabe, sou contra religião, acho que as pessoas que tem fé são doentes...
Começo a me incomodar. Não que eu seja um homem de fé, mas prefiro um crente a um ateu de boutique.
- Esses caras do stand up fazem piada de tudo, eles são todos uns sem talento ...
Lembro-me de quanto gosto de comédia e de quanto tempo estou perdendo com aquela conversa, peço licença e me despeço dando uma desculpa qualquer.
Chego em casa e faço um inventário de minha alma, me comparo ao Personagem e tento ver se ele é algum alter ego meu, graças a Deus, descubro que já passei desta fase. Vasculho os meus contatos para ver se tem mais alguém semelhante ao Personagem em minha lista de amigos e contatos, ufa! Ele é um dos poucos que ainda mantinha contato.
Mantinha, porque ele não merece uma crônica sobre ele, não merece minha preocupação, tão pouco que eu me ocupe com ele, não merece que lhe ceda meu ouvido e gaste meu tempo, não merece sequer fazer parte de minhas redes sociais.
Personagem é um personagem de nosso tempo estranho, o tempo do conhecimento fast food e da cultura adquirida na velocidade de um macarrão instantâneo, Personagem é um triste produto da sociedade do espetáculo e da revolução dos idiotas, tornando a vida algo vil, como um palco para suas idiotices.
Antes de prosseguir com a história, gostaria de dizer que existem tipos desses aos borbotões, geralmente se auto intitulam muito bem e possuem uma enorme facilidade em dizer que são algo que sequer parecem ser. Costumam se autodenominar como poetas, sem ter uma obra a apresentar, ou então filósofos, sem nunca terem produzido um trabalho intelectual de algum dos milhões de assuntos atinentes ao amor à sabedoria.
Só faltava dizer que nosso personagem não trabalhava, sua vida é cheia de "trabalhos criativos" e que estes trabalhos lhe tomam seu tempo de forma excessiva e que prefere passar por sérias necessidades financeira a se submeter ao modo opressor que se ganha a vida no regime capitalista.
Nosso personagem, caro leitor, povoa as redes sociais com seus tratados e suas críticas contumazes a tudo o quanto há e existe, afinal, o mundo é opressor demais. Nosso personagem pensa que a arte é um refúgio e uma manifestação de sua genialidade.
Tenho um amigo, que por sinal detesta o nosso personagem, que diz que falta proletarismo na vida de muita gente. Sim o termo é esse, meu amigo inventa palavras vez por outra.
Voltemos ao nosso personagem, não lhe darei nome, se chamará Personagem.
Certa feita encontramo-nos para conversar algo sem importância, então Personagem começou com seu discursinho. Suas conclusões não possuem premissas, quase todas as suas críticas se baseiam em argumentos ad hominem e seu cabedal intelectual era limitado como exposto acima, mas como a diferença entre a genialidade e a estupidez é que a primeira tem limite, não cessava de falar:
- Temos que continuar com o atual governo, melhor que a volta dos coxinhas...
Fico em silêncio.
- Estou com um novo projeto, tem tudo para dar certo...
Aceno positivamente com minha cabeça, simulando aprovar seu projeto.
- Sabe, sou contra religião, acho que as pessoas que tem fé são doentes...
Começo a me incomodar. Não que eu seja um homem de fé, mas prefiro um crente a um ateu de boutique.
- Esses caras do stand up fazem piada de tudo, eles são todos uns sem talento ...
Lembro-me de quanto gosto de comédia e de quanto tempo estou perdendo com aquela conversa, peço licença e me despeço dando uma desculpa qualquer.
Chego em casa e faço um inventário de minha alma, me comparo ao Personagem e tento ver se ele é algum alter ego meu, graças a Deus, descubro que já passei desta fase. Vasculho os meus contatos para ver se tem mais alguém semelhante ao Personagem em minha lista de amigos e contatos, ufa! Ele é um dos poucos que ainda mantinha contato.
Mantinha, porque ele não merece uma crônica sobre ele, não merece minha preocupação, tão pouco que eu me ocupe com ele, não merece que lhe ceda meu ouvido e gaste meu tempo, não merece sequer fazer parte de minhas redes sociais.
Personagem é um personagem de nosso tempo estranho, o tempo do conhecimento fast food e da cultura adquirida na velocidade de um macarrão instantâneo, Personagem é um triste produto da sociedade do espetáculo e da revolução dos idiotas, tornando a vida algo vil, como um palco para suas idiotices.
Desistindo de mudar o mundo
De uns tempos pra cá ando observando certas linhas de pensamento que sempre julguei corretas sendo jogadas pelo ralo através de um simples exercício de lógica, uma dessas ideologias era a de que devemos mudar o mundo, fazer desse mundo um lugar melhor para se viver e superar os modelos até então existentes em busca de um novo modo de gerir a vida e as nossas relações políticas e que, através dessas mudanças, seríamos capazes de deixar um mundo melhor para meus filhos, caso eu venha a tê-los.
Bom, andei abraçando um monte de ideias, cada uma tinha o seu modus operandi e exigia algum tipo de rompimento, ou então não passavam de um discurso vazio e sem sentido, a vida vai andando e a gente tem que observar cada passo, senão tropeça, senão esquece de viver.
No andar da vida fui deixando um pouco de mim em cada lado, um pedacinho da alma em cada lugar, pra juntar tudo daria muito trabalho, então é melhor deixar esparramado e prosseguir com o que restou.
Se o caro leitor não está me entendo, peço desculpas, não estou nada sintético neste dia, pelo contrário, hoje quero ser prolixo de propósito, da forma mais desnecessariamente atroz.
Desisti de mudar o mundo, descobri que o mundo é algo grande demais para mim e que dentro de mim há um mundo enorme que eu também não consigo por em ordem e nem garantir o progresso. Não se trata de derrotismo, mas de ceticismo. Não consigo mais acreditar mais em fórmulas prontas e maneiras inovadoras de resolução de todos os problemas da humanidade. Até porque me parece que resolução nessa vida acaba por ser retornar ao status quo antem, gerando uma série de problemas que eram desconhecidos e deixando tudo mais complicado.
Somos cada vez mais idiotas quando escolhemos parâmetros irredutíveis de conduta e isto me parece ser uma forma mais realista de encarar as coisas, afinal toda forma de revolução termina adotando um viés fascista no final, apesar destes rompimentos escreverem a história da humanidade eles ocorrerão independente de minha parca intervenção.
Caro leitor, perdõe-me, esse texto está um lixo e se você chegou a ler esta frase final, eu lhe agradeço por compartilhar comigo alguns segundos de minhas desilusões, fico aqui e nada mais tenho e escrever por hoje.
sexta-feira, 26 de setembro de 2014
Independente do que pensamos ou queiramos, Dilma vai ganhar
Raramente escrevo sobre política, apesar de ser um enorme curioso do assunto e um entusiasta dos processos eleitorais, assisto horário político e adoro os debates, sinto falta de alguns políticos das antigas, como Doutor Enéas, mas recebo com alegria figuras como o Doutor Eduardo Jorge, em quem pretendo votar e com alegria e consciência tranquila.
Não escrevo sobre política, porque sou um político marginal, participo do processo, mas nunca consigo entrar onde há protagonismo, gosto de ficar à parte, observando os acontecimentos, debatendo as ideias de quem me interessa e analisando o sobe e desce das pesquisas, sem tentar mudar de maneira incisiva o espírito desse tempo. Confesso que é cômodo, mas ainda é que me julgo apto a fazer.
De toda forma, vejo com tristeza o fato de não acontecer uma renovação nos quadros políticos nesta eleição. Digo isto porque vejo que o único partido que entendeu o que Maquiavel escreveu é o Partido dos Trabalhadores.
Sem fazer juízo algum de valor, se isto é mérito ou demérito, o PT adquiriu uma consistência que lembra o Partido Comunista Russo à época de Lênin, não existem dissidências, todos, invariavelmente estão coletivamente coesos em torno da reeleição da Presidenta Dilma.
Apesar da força da imagem de Marina, ela não conseguiu ainda um partido coeso ao seu lado, pois sua figura ganha um protagonismo exagerado ante às pretensões dos socialistas e apesar do sempre forte PSDB estar com todas as suas lideranças apoiando Aécio, vê-se uma pobreza atroz de sua militância, que parece não haver entendido que estão fora do processo e que uma virada na atual conjuntura seria algo que exige deles muito mais que discursos bem montados e artigos escritos por FHC.
Os candidatos marginais tem tido posições interessantes, mas sabe-se que não possuem absolutamente nenhuma força para modificar o quadro, exemplo máximo está no ato falho do candidato Eduardo Jorge no debate realizado pela TV Aparecida, onde o mesmo disse "...se eu ganhasse...", arrancando risos até de si mesmo.
Vemos um pastor defendendo livre mercado sem saber direito do que se trata e a extrema esquerda com aquele discurso de sempre, enfim, nada que mude de fato o espectro, mas que é importante para que sejam trazidos vários temas ao debate.
Sou alguém que pensa que a democracia funciona bem apenas quando há alternância de poder, mas enquanto apenas os petistas forem unidos teremos um país sem outra perspectiva no âmbito do poder executivo, torço para que em termos legislativos tenhamos quadros melhores do que aí estão.
Deixo aqui minha profecia, Lula surgirá no segundo turno mostrando que votar em Dilma é votar nele e tudo continuará como está lá no planalto.
Não escrevo sobre política, porque sou um político marginal, participo do processo, mas nunca consigo entrar onde há protagonismo, gosto de ficar à parte, observando os acontecimentos, debatendo as ideias de quem me interessa e analisando o sobe e desce das pesquisas, sem tentar mudar de maneira incisiva o espírito desse tempo. Confesso que é cômodo, mas ainda é que me julgo apto a fazer.
De toda forma, vejo com tristeza o fato de não acontecer uma renovação nos quadros políticos nesta eleição. Digo isto porque vejo que o único partido que entendeu o que Maquiavel escreveu é o Partido dos Trabalhadores.
Sem fazer juízo algum de valor, se isto é mérito ou demérito, o PT adquiriu uma consistência que lembra o Partido Comunista Russo à época de Lênin, não existem dissidências, todos, invariavelmente estão coletivamente coesos em torno da reeleição da Presidenta Dilma.
Apesar da força da imagem de Marina, ela não conseguiu ainda um partido coeso ao seu lado, pois sua figura ganha um protagonismo exagerado ante às pretensões dos socialistas e apesar do sempre forte PSDB estar com todas as suas lideranças apoiando Aécio, vê-se uma pobreza atroz de sua militância, que parece não haver entendido que estão fora do processo e que uma virada na atual conjuntura seria algo que exige deles muito mais que discursos bem montados e artigos escritos por FHC.
Os candidatos marginais tem tido posições interessantes, mas sabe-se que não possuem absolutamente nenhuma força para modificar o quadro, exemplo máximo está no ato falho do candidato Eduardo Jorge no debate realizado pela TV Aparecida, onde o mesmo disse "...se eu ganhasse...", arrancando risos até de si mesmo.
Vemos um pastor defendendo livre mercado sem saber direito do que se trata e a extrema esquerda com aquele discurso de sempre, enfim, nada que mude de fato o espectro, mas que é importante para que sejam trazidos vários temas ao debate.
Sou alguém que pensa que a democracia funciona bem apenas quando há alternância de poder, mas enquanto apenas os petistas forem unidos teremos um país sem outra perspectiva no âmbito do poder executivo, torço para que em termos legislativos tenhamos quadros melhores do que aí estão.
Deixo aqui minha profecia, Lula surgirá no segundo turno mostrando que votar em Dilma é votar nele e tudo continuará como está lá no planalto.
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