sábado, 23 de abril de 2011

Poema Kafkaniano postumamente escrito por Nietzsche

sinto-me invadido por insetos
sinto-me tomado por eles
sinto-me estuprado por eles
sinto-me tomado por eles.

quem são eles?
de onde vieram?
por que me escolheram?
quero sumir

para onde fugir
o mundo está infestado deles
infestado daquilo que me faz querer sumir

infestação a qual eu não posso controlar
não posso me esconder
não posso sumir
não posso querer
nem me resta morrer!

Como olhar para o céu de um deus morto?
como olhar para terra de um homem morto?
como ser tentado por um diabo que já não existe mais

Não sou um homem
sou uma bomba relógio

Andando por Praga

Francis acordou em seu quarto no hotel, olhava para rua e esperava por um grande dia. Praga ficava linda com o amanhecer.
Foi ao banho e lá desfrutou de um delicioso banho e ao sair do banheiro, pensou que teria sido melhor ideia viajar para Praga no inverno. Apesar do frio, toda cidade européia fica mais elegante nesse tempo.
Escovou os dentes e desceu para fazer seu desjejum, Francis bebeu um café comum acompanhado de um delicioso croissant. Perguntou ao garçon de onde vinha aquele café maravilhoso e para o seu espanto, descobriu que era um café colhido no Brasil, pensou na ironia que para beber o melhor de todos os cafés teve de ir para a República Tcheca.
Após o café, Francis sai do hotel e caminha sem pensar em nada, foi andando e Praga foi se revelando uma cidade, a qual, ao reflexo do sol a cidade foi se revelando algo novo e sentiu como se já tivesse vivído naquele lugar.
O relógio astronômico lhe impressionou, Francis não entendeu a lógica do relógio e francamente nem o cronista em questão. Andou, fotografou, comprou um artesanato e fez tudo que um burguês viajante costumeiramente faz.
Mas existem coisas que no universo que são absurdamente estranhas.
Francis se cansou um pouco e se sentou na frente da Praça da República. De repente, um sujeito estranho para diante dele e diz coisas indecifráveis. Como Francis não fala o idioma local, ficou olhando com a cara de quem nada entende e não se importa.
Então o sujeito começa a chorar desesperado. Francis se levanta e diz para ele se acalmar em todos os idiomas que conhece. O sujeito, sem entender absolutamente nada, permanece a chorar e seu descontrole começa a deixar Francis preocupado.
Francis olha para os lados e procura um policial, enfim, alguém que pudesse lhe ajudar. Então aquele homem aponta para a esquerda e então Francis o acompanha, então ao chegar na frente de uma armazem, o sujeito pára e entra no lugar, Francis entra então seguindo o sujeito. Então Francis, dá um passo para trás assustado, várias mulheres nuas vem ao seu encontro.
Todas elas lindas com características de oriental, parecem ser japonesas, chinesas, filipinas ou coreanos. Francis vai em direção à porta e o sujeito, que antes chorava desesperado, se coloca ante a porta e impede Francis de sair.
- O que é isso? - grita Francis
- Calma garoto! - responde uma das garotas nuas.
- O que vem a ser isso? Quem são vocês? - pergunta Francis, cada vez mais desesperado.
- Tem medo de nós? - Pergunta a oriental - não precisa se preocupar.
Então aquela oriental, vinda de Macau, coloca Francis na parede e lhe beija, beija apaixonadamente. Francis, a olha e não sabe como reagir. A macauense chama as suas amigas e todas elas começam a tocá-lo e, aos poucos Francis, vai deixando com que aquelas mulheres o dominem.
As mulheres eram mais quentes que qualquer latina conhecida por Francis, ao todo eram 6, que se revezavam no prazer junto a Francis.
Francis, pensa algumas coisas, mas o prazer proporcionado por aquelas mulheres, que ele daria tudo por vários momentos como aquele.
Ao terminar, a macauense olha para Francis e lhe pergunta:
- Foi bom para você?
Francis sem palavras acena que sim com a cabeça.
Então o sujeito, que apenas ficou parado vendo tudo, tira um bolo de dólares da carteira e entrega a uma outra oriental que faz parte do grupo. Ambos se entendem em um idioma, o qual Francis desconhece e o cara pega Francis pela mão e o abraça.
Francis ainda nú, rejeita o abraço a princípio, mas depois acaba por ceder. Então o sujeito saí do lugar e deixa Francis a sós com aquelas loucas mulheres.
- Entendeu agora? - pergunta a mulher de Macau.
- Não preciso. - responde Francis, que se veste e sai.
Quando sai vê que já anoiteceu, passa de novo pelo relógio astrológico e vê as horas, não consegue, aquele relógio é extremamente complexo para sua mente. Complexo mesmo foi o dia que passou.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Nada

Eu acordei, olhei para a rua e as pessoas andavam felizes, era dia de feriado. Feriados são a especialidade dos brasileiros, podemos ter milhares por ano sem se perguntar o porquê.
As crianças corriam atrás de uma bola, as senhoras conversavam nas janelas e alguns homens conversavam aos berros em botequim. Tudo ao som do que há de pior na música brasileira e eu me reverberava por dentro, andando de um lado para o outro do meu quarto. Tudo é tão vago, tão fútil....
Nesses devaneios sigo, sigo a não pensar. Não quero pensar. Desisto de pensar. Meu pensamento não significa nada e não muda o mundo. Não me aproxima de nada, não me leva a lugar nenhum. Caminho numa rua vazia, caminho na rua do pensamento que não significa nada.
Então prefiro não pensar, escrevo apenas essas linhas difusas, confusas, sem nexo, que jamais serão lidas por ninguém visto que meu blog não tem muita audiência.
Prefiro apenas colocar nessas linhas o que antigamente eu colocaria num caderno ou num diário.
Depois eu mudo de idéia e resolvo continuar blogando.
Existe esse verbo? Blogar?
Se não existe, determino agora o seu nascimento.

Eu blog

Tu blogas

Ele bloga

Nós blogamos

Vós blogais

Eles blogam

E eu encerro o post antes de encher o saco de quem me lê!

Rogério Skylab - Um gênio sombrio, profundo e feminino


Estou agora tendo uma nova experiência musical. Isso mesmo, estou ouvindo o disco Skygirls do grande cantor e escritor carioca Rogério Skylab.
Como se não bastassem seus fantásticos discos da série do Skylab e seu excelente livro de sonetos (Debaixo das rodas de um automóvel, pela editora Rocco) ele resolve se reinventar com o Skygirls.
Esse album possui uma delicadeza e a sutilidade da mulher, aliada ao peso e a interpretação de Rogério Skulab, isso sem perder a sua forma experimental e suas letras inusitadas. Esse contraste estético que ele produz fez desse disco um dos melhores que já ouvi na vida.

As faixas mais interessantes na minha opinião são:

- Abacaxi;

- Você viu Cat Power (uma incrível viagem experimental);

- Ilha de Lesbos;

- e os lindos clássicos franceses La Mer e Oh Melody.

Isto sem contar o poema em homenagem a Maria Betânea que Skylab declama com sua emoção e acidez peculiares.
Esse disco é um daqueles que vale a pena. Para quem não conhece o Rogério Skylab fica a dica, pois não sabe o que está perdendo.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Morre um ateu

Noticio nesse instante,
Testemunha ocular da história,
morre um homem que não acreditava em Deus

Seus argumentos são consistentes
Sua retórica era perfeita.
Sua vida era ótima
era coisa bem feita.

De tanto ser feliz
Pensou em seu ser
Deveria haver alguém
Para ele agradecer

Então entendeu
Por incrível que pareça
Que devia agradecer a Deus
para que sua paz não pereça.

Parece estranho,
místico e metafísico.
Mas naquele momento
Com o maior sentimento
Pediu a Deus um armistício.

Deus lhe concedeu na hora
Com sorriso no rosto
recebe o seu filho
que sem ele era um trem
só que fora do trilho

E termino esses versos
criticando a religião
por que reduzir Deus a uma imagem
se ele mora no coração

Se você duvida de mim
de tua descrença sinal é
mas será mais feliz
se passar a ter fé!

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Cálculo infundado

A matemática não é prática.
Prático é ser inexato,
incoerente e insandecido.

Os sistemas nos prendem
a linguística moderna
mata a língua

As palavras que ante pulavam
hoje ficam calculadamente armazenadas em uma caixa de regras que norteiam as métricas, rimas e a estética.

Formas,regras,leis gramaticais
onde foi parar a essência?
Essencialmente calculada
a poesia morre a mingua
num movimento retilíneo de ângulo de trinta graus praticamente sem atrito
como se a hipotenusa fosse maior hipébole do poeta preso no mundo exato da inexatidão

Quero que os intelectuais morram,
os acadêmicos definhem e poesia se sente no colo do povo.

Quero que os poetas façam a droga do seu trabalho

REINVENTAR AS SARVALAP!!!!!!

PAREM DE CALCULAR !!!!!!

REINVENTEM AS PALAVRAS!!!!!

sexta-feira, 8 de abril de 2011

A mulher do metrô

José acordou cedo, tomou seu café sossegado, fez sua higiene, se vestiu e foi para mais um dia de trabalho. Era mais um dia comum de um homem comum, pelo menos esse era o plano. Até que seu dia se transforma.
Ele vai caminhando tranquilamente até o metrô, como todos os dias. Para diante do guichê, paga o bilhete e entra.
Sua viagem ia tranquila, até que se senta ao seu lado uma mulher daquelas que não se vê todo dia.
Ela era de seios e ancas fartas, coxas divinamente esculturadas, rosto desenhado pelos anjos e olhos mais belos que qualquer jóia inventada, encontrada ou imaginada por alguém em todos os tempos.
José a olha, e se perde.
Sua imaginação anda pelos mundos mais insólitos. Sua mente esquece do trabalho, do dia e até do ponto onde deveria descer.
É incrível como uma mulher consegue mexer com cada célula do corpo de um homem. As mulheres tem poderes impagavelmente fatais. Um olhar, um gesto, uma palavra, um beijo. Qualquer coisa pode mudar o estado de espírito de um homem, desde que seja feito por uma dessas deusas místicas, que desde de tempos imemoriais, fazem homens matarem homens, reinos caírem e indivíduos se entregarem a todo tipo de vício e escrotidão.
José imagina alguma coisa para dizer, mas dizer o que? Aquela moça ao seu lado lhe rouba até os pensamentos.
Ele, que a tanto tempo não ficava com nenhuma mulher descentemente agradavel de se ver, via aquela moça e delirava. Seu delírio se transformou em cobiça.
Começou a imaginar uma noite enlouquecedora com aquela senhorita ao seu lado. Começou a pensar nela tirando a roupa em quarto de hotel, a cada peça tirada ela lhe beijava loucamente e a cada beijo um arrepio na pele de José.
Depois, completamente nua, ela o excitava de todas as formas que José fosse capaz de imaginar.
Então, de repente, José é interompido em seus devaneios, a moça vira para José e diz:
- O senhor está bem?
- Hã?
- O senhor está suando muito e olha para baixo. - diz a moça com uma certa vergonha.
José volta de seus devaneios e vê. Vê algo que o faz passar vergonha, muita vergonha.
Sua excitação era tanta que não havia o que se fazer senão sair. Sair correndo, do metrô, sair para onde nenhum dos presentes no metrô pudessem vê-lo.
José olha para si e volta ao normal, desceu três estações depois de seu destino, mesmo assim sua vida nunca mais será a mesma. Ele não desejará nenhuma outra mulher,já encontrou a mulher dos seus sonhos, a mulher do metrô.